O Ministério Público (MP) está a investigar o caso das gémeas de origem brasileira tratadas no Hospital Santa Maria com um dos medicamentos mais caros do mundo, confirmou esta sexta-feira a Procuradoria-Geral da República, depois de a notícia ter sido avançada pelo jornal Público.."Confirma-se a instauração de inquérito relacionado com os factos referidos. O processo encontra-se em investigação no Departamento de Investigação e Ação Penal Regional de Lisboa e, por ora, não corre contra pessoa determinada", diz a nota enviada à Lusa..O caso foi denunciado por uma reportagem da TVI, transmitida no início de novembro, segundo a qual duas gémeas luso-brasileiras vieram a Portugal em 2019 receber o medicamento Zolgensma, - um dos mais caros do mundo - para a atrofia muscular espinhal, que totalizou no conjunto quatro milhões de euros..Segundo a TVI, havia suspeitas de que isso tivesse acontecido por influência do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que negou entretanto qualquer interferência no caso.."Eu ontem disse que não tinha feito isso. Não fiz. Não falei ao primeiro-ministro, não falei à ministra [da Saúde], não falei ao secretário de Estado, não falei ao diretor-geral, não falei à presidente do hospital, nem ao conselho de administração nem aos médicos", afirmou na altura Marcelo Rebelo de Sousa..No início do mês, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) anunciou abriu um processo de inspeção ao caso das gémeas. "Informamos que a IGAS abriu um processo de inspeção sobre o processo de prestação de cuidados de saúde às duas crianças para verificar se foram cumpridas todas as normas aplicáveis a este caso concreto", adiantou a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde..Já esta semana, a Iniciativa Liberal anunciou que quer que a ex-ministra Marta Temido e a antiga e atual administração do Hospital Santa Maria expliquem este caso no parlamento. "A Iniciativa Liberal decidiu apresentar um requerimento no sentido da ministra da Saúde de então, Marta Temido, ser chamada ao parlamento para apresentar explicações, adiantou Rui Rocha, afirmando que o partido aguardou desde o início de novembro, altura em que o caso foi tornado público por uma reportagem da TVI, para perceber se eram conhecidas mais informações e dadas mais explicações, mas concluiu que "não há factos que expliquem as decisões tomadas"..A antiga ministra da Saúde, Marta Temido, manifestou depois disponibilidade para prestar todos os esclarecimentos que lhe peça o parlamento, o Ministério Público ou entidades da saúde sobre o caso..Segundo fonte do grupo parlamentar do PS, "Marta Temido tem evidente disponibilidade para prestar todos os esclarecimentos que sejam necessários a qualquer entidade que entenda requerê-los sobre este caso".."Seja a Assembleia da República, o Ministério Público, a Entidade Reguladora da Saúde ou a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, ou qualquer outra que entenda solicitar explicações", acrescentou..Já o líder do Chega, André Ventura, adiantou que o partido vai chamar com urgência ao parlamento Lacerda Sales "uma vez que, segundo informação veiculada em público, terá sido esse governante que terá sido o intermediário entre um pedido feito por um órgão de soberania e o próprio hospital [Santa Maria]"..O medicamento Zolgensma, para o tratamento da atrofia muscular espinhal, já foi administrado a 33 crianças em Portugal, desde que a bebé Matilde o recebeu em julho de 2019, segundo dados do Infarmed.