Militares portugueses podem ter sido usados como "correio" em tráfico de diamantes

A PJ confirma que executou 100 buscas e procedeu ao cumprimento de 10 mandados de detenção. A Operação Miríade conta com mais de 300 inspetores e investiga o contrabando de diamantes e o tráfico de droga.

Alguns militares portugueses em missões na República Centro-Africana podem ter sido utilizados como "correios no tráfego de diamantes, ouro e estupefacientes", revelou esta segunda-feira o Estado-Maior-General das Forças Armadas, adiantando que o caso foi reportado em 2019.

Em comunicado, o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) revelou que "o que está em causa de momento é a possibilidade de alguns militares que participaram nas FND [Força Nacional Destacada], na RCA, terem sido utilizados como correios no tráfego de diamantes, ouro e estupefacientes" e que "estes produtos foram alegadamente transportados nas aeronaves de regresso das FND a território nacional".

Um guarda em formação na Guarda Nacional Republicana foi, entretanto, detido pela Polícia Judiciária (PJ) por suspeitas de tráfico de diamantes e ouro em missões militares noutros países, como na República Centro-Africana, avançou a GNR.

"Foi detido pela Polícia Judiciária, um guarda-provisório em formação, desde junho de 2021, no 44.º Curso de Formação de Guardas em Portalegre, o qual ingressou na formação proveniente das Forças Armadas", refere a GNR em comunicado.

A GNR salienta que "mostra total disponibilidade para colaborar com a Polícia Judiciária na investigação em curso".

A PJ confirmou, em comunicado, que executou 100 buscas e procedeu ao cumprimento de 10 mandados de detenção.

A Operação Miríade, com a participação de cerca de 320 inspetores e peritos da PJ, decorreu em Lisboa, Funchal, Bragança, Porto de Mós, Entroncamento, Setúbal, Beja e Faro.

No âmbito de um inquérito dirigido pelo DIAP de Lisboa, a Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, "procedeu à execução de 100 mandados de busca, 95 buscas domiciliárias e cinco buscas não domiciliárias, visando a recolha de prova relacionada com as práticas criminosas", lê-se na nota enviada às redações.

"Está em investigação uma rede criminosa, com ligações internacionais, que se dedica a obter proveitos ilícitos através de contrabando de diamantes e ouro, tráfico de estupefacientes, contrafação e passagem de moeda falsa, acessos ilegítimos e burlas informáticas, tendo por objetivo o branqueamento de capitais", revela a PJ, que informa ainda que as investigações prosseguem.

Vários órgãos de comunicação social noticiaram que a PJ realizou buscas no Regimento de Comandos, na Carregueira, em Sintra, e noutros cerca de 100 locais, por suspeitas de tráfico de diamantes e ouro em missões militares noutros países, como na República Centro-Africana (RCA).

De acordo com a nota do EMGFA, "em dezembro de 2019 foi reportado ao Comandante da 6ª Força Nacional Destacada (FND), na República Centro Africana (MINUSCA), o eventual envolvimento de militares portugueses no tráfico de diamantes".

"O comandante da FND relatou prontamente ao EMGFA a situação, tendo esta sido de imediato denunciada à Polícia Judiciária Militar (PJM) para investigação. A PJM fez a respetiva denúncia ao Ministério Público que nomeou como entidade responsável pela investigação a Polícia Judiciária", explicou.

Forças Armadas prometem tomar "as devidas medidas"

Além da denúncia imediata, lê-se ainda na nota, o EMGFA "mandou reforçar os procedimentos de controlo e verificação à chegada dos militares das FND e respetivas cargas".

De acordo com o EMGFA, "os inquéritos militares e respetivas consequências estão pendentes das investigações em curso, com o cuidado de não interferir neste processo, ainda em segredo de justiça".

"Uma vez esclarecidas as responsabilidades, as Forças Armadas tomarão as devidas medidas sendo absolutamente intransigentes com desvios aos valores e ética militar. As Forças Armadas repudiam totalmente estes comportamentos contrários aos valores da Instituição Militar", sublinham.

Notícia atualizada às 13:15

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