O ministro da Administração Interna disse esta quinta-feira que o direito de manifestação "é legítimo, respeitável e até valioso" desde que respeitem "os deveres de quem tem especial responsabilidade na salvaguarda do Estado de direito e da legalidade democrática"..José Luis Carneiro falava no final de uma visita a três habitações no Barreiro, no distrito de Setúbal, destinadas a militares da Guarda Nacional Republicana, remodeladas com verbas do Plano de Recuperação e Resiliência, um investimento de 159 mil euros.."Os polícias e os guardas são o primeiro garante da salvaguarda do Estado de direito e da legalidade democrática e o que se pretende é que as manifestações cumpram estes deveres de responsabilidade", disse o ministro referindo-se ao protesto que tem decorrido nos últimos dias por parte de elementos da Polícia de Segurança Pública..Pelo quarto dia consecutivo, os polícias da PSP continuam esta quinta-feira a concentrar-se em várias cidades do país em protesto, numa iniciativa que começou com um agente da PSP em frente à Assembleia da Republica, em Lisboa, e está a mobilizar cada vez mais elementos da PSP, bem como da GNR e da guarda prisional..O protesto foi também concretizado com a paragem de vários carros de patrulha da PSP, principalmente no Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis), alegando os polícias que estavam inoperacionais e com várias avarias..Relativamente a esta matéria o ministro referiu que o assunto está a ser acompanhado por parte da Polícia de Segurança Pública..Questionado sobre o encontro de hoje entre o diretor nacional da PSP e os sindicatos, o ministro disse apenas que quando se parte para um diálogo é preciso reconhecer o que já foi feito.."O que temos dito é que já uma predisposição do poder político para este trabalho em curso de valorização das condições de trabalho e salarial e dos suplementos e de melhoria das condições para o exercício da atividade profissional. Há um compromisso do Governo de que isto é para continuar", frisou..O diretor nacional da PSP manifestou hoje aos sindicatos que está solidário com os protestos dos polícias, disse o presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia, avançando que a contestação vai continuar.."Esta reunião serviu acima de tudo para o diretor nacional, pessoa que nos dirige, mostrar efetivamente, confirmar e reforçar aquele que é o espírito de solidariedade que tem para com esta luta, que também não deixa de ser uma luta do diretor nacional, sendo ele o diretor de todos os polícias", disse aos jornalistas Bruno Pereira..O diretor nacional da Polícia de Segurança Pública, José Barros Correia, esteve hoje, durante cerca de duas horas, reunido com os seis sindicatos da PSP mais representativos, numa altura em que os polícias estão em protesto por melhores condições salariais e de trabalho..As habitações para militares hoje visitadas no Barreiro são três de um conjunto de 130 num investimento global superior a seis milhões de euros, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)..Estes projetos asseguram a disponibilização de um total de 181 alojamentos, que se distribuem pelos municípios do Barreiro, Chaves, Coimbra, Faro, Lisboa e Vila Real de Santo António..O programa de reabilitação de habitações dos Serviços Sociais da GNR é parte dos cerca de 40 milhões de euros de investimento habitacional do Ministério da Administração Interna, no âmbito do PRR, destinado aos profissionais das forças de segurança..Polícias de serviço concentraram-se esta quinta-feira à tarde em frente a várias esquadras do país.Centenas de polícias de serviço concentraram-se às 15:00 desta quinta-feira em frente a várias esquadras da PSP do país para demonstrar união e protestar por melhores condições salariais e de trabalho, disseram à Lusa várias fontes sindicais..Fotografias enviadas à Lusa mostram os polícias concentrados às portas das esquadras e divisões da Polícia de Segurança Pública em várias zonas do país, estando muitos deles fardados..Alguns desses locais são: Lisboa, Porto, Matosinhos, Vila Nova de Gaia, Braga, Guimarães, Castelo Branco, Espinho, Gondomar, Olhão, Tavira..Além de polícias da PSP, há também militares da Guarda Nacional Republicana fardados e concentrados junto aos postos da GNR..O presidente do Sindicato Nacional de Polícia (Sinapol), Armando Ferreira, disse à Lusa que a concentração coincidiu com a mudança de turno dos polícias..Também o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), Paulo Santos, confirmou à Lusa as várias concentrações pelo país, sublinhando que foram espontâneas e contaram com a adesão de militares da GNR, que se juntaram em frente aos postos da Guarda..Durante a hora de almoço desta quinta-feira, também várias dezenas de polícias, muitos deles fardados, concentraram-se de forma espontânea junto à Direção Nacional da PSP e ao Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis), em solidariedade com os protestos por melhores condições salariais e de trabalho..Pelo quarto dia consecutivo, os polícias da PSP voltam esta quinta-feira a concentrar-se em frente ao parlamento, numa iniciativa que começou com um agente da PSP em frente à Assembleia da Republica, em Lisboa, e está a mobilizar cada vez mais elementos da PSP, bem como da GNR e da guarda prisional..O protesto foi também concretizado com a paragem de vários carros de patrulha da PSP, principalmente no Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis), alegando os polícias que estavam inoperacionais e com várias avarias..A contestação dos elementos da PSP e da GNR teve início após o Governo ter aprovado em 29 de novembro o pagamento de um suplemento de missão para as carreiras da PJ, que, em alguns casos, pode representar um aumento de quase 700 euros por mês..Estes protestos surgiram de forma espontânea e não foram organizados por qualquer sindicato, apesar de existir uma plataforma, composta por sete sindicatos da PSP e quatro associações da Guarda Nacional Republicana, criada para exigir a revisão dos suplementos remuneratórios nas forças de segurança..Esta plataforma decidiu cortar totalmente as relações com o Ministério da Administração Interna..Os protestos dos polícias estão a ser organizados através das redes sociais, como Facebook e Telegram.