Ver hoje como vamos ser daqui a 30 ou 40 anos. Já é possível

Novo programa, que vai ser apresentado este mês em conferência nos Estados Unidos, antevê envelhecimento de algumas caras conhecidas

Olhar para o futuro, para ver hoje o rosto que vamos ter daqui a 20, 30 ou 50 anos já é possível. A chave é num novo programa de computador que usa um algoritmo e a inteligência artificial para produzir essas imagens do futuro. Além deste lado divertido (ou não, conforme os gostos), este sistema pode ser vir a ser um dia utilizado na investigação para encontrar pessoas desaparecidas.

O programa, que foi criado por um grupo de investigadores dos Estados Unidos e vai ser apresentado este mês na Conferência sobre Visão Computacional e Reconhecimento de Padrões, em Salk Late City, nos Estados Unidos, foi desenvolvido com base em dois momentos de "aprendizagem" do sistema.

Primeiro o algoritmo foi ensinado a reconhecer os padrões essenciais dos rostos humanos. E em seguida foi programado para envelhecer as imagens, de acordo com os anos requeridos:10, 20, 30, 40, ou mais.

Durante esta aprendizagem, em que os investigadores usaram mais de cem mil imagens de uma base de dados, o computador fez a comparação sistemática entre as imagens que produzia e as imagens reais das pessoas cada vez com mais idade, e aprendeu a distinguir os padrões através dos quais essa transformação se dá nas imagens verdadeiras. E depois passou a fazer tudo sozinho.

Uma demonstração das possibilidades do programa está nas imagens que ele produziu de duas personalidades bem conhecidas do público: o músico e cantor Justin Timberlake e a atriz Kirsten Dunst. O seu envelhecimento por inteligência artificial impressiona, como se pode ver. Mas fica a dúvida: será que eles gostaram?

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.