Terapia inovadora elimina cancro da mama avançado com metástases


É um tratamento experimental, altamente personalizado, feito a partir de células do sistema imunitário dos doentes. Embora os resultados sejam promissores, é preciso notar que o estudo envolveu apenas uma doente

Judy Perkins, de 49 anos, é a primeira mulher com cancro da mama avançado e metástases em vários órgãos salva graças a um tratamento pioneiro feito a partir de linfócitos. De acordo com os investigadores do Instituto Nacional do Cancro dos Estados Unidos, a paciente, que não respondia a qualquer terapia convencional, não tem sinais de cancro há dois anos.

A mulher tinha um tumor avançado na mama e apresentava metástases em vários órgãos, nomeadamente no fígado. No ensaio clínico, os médicos analisaram amostras dos tumores, identificando 62 mutações genéticas. Paralelamente, extraíram linfócitos (células do sistema imunitário) do cancro da doente e assinalaram aqueles que eram capazes de atacar o tumor. Após um cultivo em grande quantidade em laboratório, injetaram depois 90 mil milhões de linfócitos na paciente, juntamente com fármacos para garantir a sua sobrevivência. Além disso, conta o El País, a mulher recebeu também um outro tratamento de imunoterapia.

De acordo com os resultados da investigação, publicada na revista Nature Medicine, os tumores desapareceram completamente, o que se deve, segundo os investigadores, sobretudo à terapia experimental e não ao segundo tratamento de imunoterapia. Citado pela BBC, Steven Rosenberg, chefe de cirurgia do Instituto Nacional de Cancro, diz que este é o tratamento "mais altamente personalizado que se possa imaginar". Uma abordagem ainda experimental que, acreditam os investigadores, pode vir a revolucionar o tratamento do cancro.

Os resultados preliminares mostram que a mesma abordagem pode ter resultados positivos no tratamento do cancro do fígado e do cólon, outros tumores com poucas mutações genéticas, que não respondem da melhor forma à imunoterapia convencional.

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