Tiangong-1 ardeu na atmosfera ainda sobre o Pacífico

"Palácio Celeste" reentrou na atmosfera a 26 mil km por hora

A Estação Espacial Tiangong-1 reentrou na madrugada desta segunda-feira na atmosfera terrestre sobre o Pacífico Sul, a uma velocidade superior a 26 mil quilómetros por hora antes de se desintegrar numa bola de fogo, anunciaram as autoridades aeroespaciais chinesas.

A reentrada ocorreu por volta da 01.15 em Lisboa, segundo informações da agência Xinhua e as autoridades militares norte-americanas. Segundo os chineses, "a maior parte" do laboratório espacial ardeu ao entrar na atmosfera, devido ao alto calor gerado pelo atrito com a atmosfera durante a queda, acrescentou o CMSEO, Gabinete chinês para a conceção de voos espaciais tripulados, citado pela a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.

Não se esperava que a queda deste laboratório espacial chinês, designado Tiangong-1 ("Palácio Celeste 1"), provocasse danos. Mas podia oferecer um espetáculo "esplêndido" similar a uma chuva de meteoritos, de acordo com as autoridades chinesas.

A Força Aérea norte-americana confirmou a reentrada sobre o Pacífico, não muito longe do local usado habitualmente para as reentradas controladas.

O Air Force Space Command publicou um vídeo com a animação do que seria a reentrada do laboratório espacial chinês.

A última previsão para a queda (divulgada pelas 19:30 de domingo) apontava para que a queda se desse no Oceano Atlântico às 01:48 (hora de Lisboa) de dia 2 de abril, com uma margem de erro de mais ou menos duas horas:

Num comunicado divulgado no sábado, a ESA explicou que a queda da Tiangong-1 desacelerou devido a uma meteorologia espacial mais tranquila.

Uma torrente de partículas solares deveria ter aumentado a densidade nas altas capas da atmosfera e acelerar a queda do laboratório espacial. Mas isso não ocorreu, reconhece a ESA, avançando que também persiste a incerteza sobre o lugar onde poderão cair os eventuais restos do módulo.

"As pessoas não precisam se preocupar", garantia o CMSEO na sua conta na rede social WeChat. Naves espaciais deste tipo "não caem na Terra violentamente como nos filmes de ficção científica", garante o CMSEO. A probabilidade de uma pessoa ser atingida por um objeto espacial de mais de 200 gramas é de uma em 700 milhões, garante a agência espacial chinesa.

De forma cilíndrica e com a dimensão aproximada de um autocarro, com 10,4 metros de comprimento por 3, 4 de diâmetro, 7,5 toneladas, já sem o combustível, e dois painéis solares com três por sete metros cada, a Tiangong-1 fez história em setembro de 2011, ao tornando-se a primeira estação espacial da China na órbita terrestre.

Desde então, a Tiangong-1 permaneceu vazia e em 21 março de 2016, as autoridades chinesas informaram as Nações Unidas de que tinham perdido o controlo sobre ela. Até aí, os propulsores da Tiangong-1 era regularmente despertados para elevar a sua altitude, de modo a mantê-la entre os 330 e os 400 quilómetros de altitude. Desde 2016 isso deixou de ser possível, pelo que a sua órbita veio decrescendo lentamente, como seria de esperar.

NOVAS IMAGENS DA ESTAÇÃO ESPACIAL

SIMULAÇÃO VÍDEO

O céu caiu-lhe, ao de leve, no ombro

Em 1979, a queda do Skylab, a antiga estação espacial dos Estados Unidos, foi um acontecimento. Alguns fragmentos caíram junto a uma cidade na Austrália, sem causar danos. Muitos outros objetos espaciais caem todos os anos, mas até hoje, só há um caso conhecido de uma pessoa atingida, de forma ligeira: Lottie Williams, nos Estados Unidos, a quem um pequeno fragmento de um tanque de combustível de um foguetão Delta II atingiu no ombro, em 1996.

"Um espetáculo magnífico"

Na sexta-feira, a China já tinha minimizado as preocupações sobre o impacto da entrada na atmosfera, e prometeu mesmo que será um espetáculo magnífico, semelhante a uma chuva de meteoros.

"As pessoas não têm motivos para se preocupar", assegurou a entidade chinesa responsável pela conceção dos voos espaciais tripulados (CMSEO, na sigla em inglês), numa mensagem publicada nas redes sociais.

Este género de estação espacial "não cai violentamente sobre a Terra como nos filmes de ficção científica, mas desintegra-se como uma magnífica chuva de meteoros num belo céu estrelado, à medida que os respetivos destroços avançam em direção à Terra", explicou a entidade chinesa.

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Anselmo Borges

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