Jovens sem mesada não aprendem a gerir o dinheiro

Por cada cem euros de rendimento, as famílias portuguesas só amealham cinco

Acreditam que sabem gerir muito bem o dinheiro, dizem que controlam o saldo com regularidade e a grande vantagem que veem nas contas-poupança é que o dinheiro "fica guardado num local seguro" e assim não pode ser gasto. Estes são os resultados de um inquérito da Deco junto de 945 jovens em idade escolar (7-22 anos), em vésperas do Dia Mundial da Poupança.

Natália Nunes, que coordenou o estudo, reconhece que os resultados revelam que os jovens estão mais atentos ao valor do dinheiro e à importância da poupança do que pode pensar-se, mas assinala com alguma surpresa que quase metade dos inquiridos tenham revelado que não têm mesada ou semanada e que peçam dinheiro aos pais sempre que precisam.

Independentemente de como os euros lhes chegam à carteira ou ao mealheiro, de que forma é que estes jovens classificam a sua relação com o dinheiro? A maioria (75%) considera saber geri-lo bem, 9% consideram-se avarentos e 14% assumem-se como "muito gastadores". A avareza aumenta com a idade mas, paradoxalmente, a quantidade de inquiridos mais velhos que dizem gastar muito também supera a dos mais novos.

Três em cada dez dizem receber mesada ou semanada para fazer face às suas despesas, mas são em maior número os que não recebem dinheiro com regularidade, sendo hábito pedirem aos pais sempre que necessitam. São quatro em cada dez os que assim fazem.

"Apesar de as respostas indiciarem alguma maturidade na relação com o dinheiro, há aqui ainda um caminho a percorrer. A prática da mesada ou da semanada "incute uma responsabilidade de gestão do dinheiro" que acaba por não existir quando se pede quando é necessário. Esta situação faz também que 15% afirmem não saber quanto dinheiro tem disponível, porque não precisa de saber.

A Deco quis também conhecer as táticas que os jovens usam quando pretendem comprar um gadget que lhes custe algumas centenas de euros. E percebeu que mais de metade (62%) está disposta a poupar durante algum tempo uma quantia mensal para conseguir o dinheiro necessário. Apenas 18% estariam disponíveis para recorrer às suas poupanças e gastar tudo de uma vez.

Numa altura em que as taxas de juro dos produtos de poupança estão em níveis historicamente baixos, abrir uma conta-poupança tem, na opinião de 47% dos jovens, a vantagem de permitir guardar o dinheiro num local seguro. A estes somam-se 25% que assinalam que assim não gastam o dinheiro. Só 25% associam a vertente do rendimento a uma conta-poupança.

Seja porque consideram as taxas de juro pouco atrativas, seja porque preferem alocar parte do rendimento disponível ao consumo, seja ainda porque não sobra rendimento no final do mês, o certo é que a taxa de poupança das famílias recuou no segundo trimestre deste ano para um dos níveis mais baixos de sempre. Por cada cem euros, as famílias guardam pouco mais de cinco.

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