A investigação à fuga dos cinco reclusos de Vale de Judeus é "muito complexa", por se estar "perante crime organizado, com grande capacidade financeira". O alerta foi deixado por Luís Neves, diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), em conferência de imprensa..Segundo o responsável, a investigação ainda corre, mas, até agora, foi possível apurar que tudo foi "organizado com ajuda do exterior" e "pensado ao pormenor"..Passando em revista os crimes pelos quais os cinco reclusos foram condenados, Luís Neves pediu "sigilo nas investigações" e é "gente muito violenta". "Tudo farão para continuar em liberdade. E tudo é tudo, incluindo a vida humana", alertou, acrescentando: "A população que se abstenha de ter qualquer ato de contacto com estas pessoas.".Em conferência de imprensa conjunta no Sistema de Segurança Interna (SSI), Luís Neves afirmou ainda que os resultados podem não ser imediatos, devido à complexidade das investigações..Questionado sobre os carros utilizados na fuga e sobre a identificação dos três cúmplices, Luís Neves afirmou que "tudo o que se diga tem implicações", acrescentando apenas que não há qualquer progresso no escrutínio das identidades das pessoas.."Está a ser feito tudo o que pode ser feito" para capturar os cinco reclusos que fugiram no sábado da prisão de Vale de Judeus. A garantia foi deixada por Manuel Vieira, secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, em conferência de imprensa. Assumindo que não haveria "dados novos" em relação ao que já havia sido noticiado, Manuel Vieira passou em revista todos os procedimentos acionados após a deteção da fuga e garantiu que o fator-chave será a cooperação entre as diferentes autoridades..A reposição do controlo de fronteiras, disse depois em resposta à RTP, "nunca esteve em cima da mesa". "A reposição do controlo de fronteiras, para uma situação confinada como esta, pareceu desproporcional", apontou..Por outro lado, Rui Abrunhosa Gonçalves, diretor-geral de Reinserção e Serviços Prisionais, afirmou que a fuga ficou registada pelas 9.56 horas de sábado, mas que só foi detetada "quarenta minutos depois". Esta situação está em investigação interna e as responsabilidades estão a ser apuradas. Segundo o responsável, havia em toda a cadeia um total de 33 guardas prisionais, que "é o que corresponde a dois turnos de 15 indivíduos, o que está regulamentado"..Referindo que a fuga aconteceu a um sábado, dia em que "não há atividades ou aulas" com os prisioneiros, Rui Abrunhosa Gonçalves assume, contudo, que são precisos mais guardas prisonais, que faltam em "todo o lado"..Segundo o responsável, há 15 guardas de baixa em Vale de Judeus, a que se somam os elementos também de férias. Isto num efetivo total pouco mais de 100 guardas prisonais. E revelou também que já fez um pedido à tutela para que abra um concurso para a contratação de 215 guardas prisonais..Rui Abrunhosa Gonçalves não tem dúvidas: "Falhou qualquer coisa no âmbito da segurança, isso é óbvio." No entanto, o diretor-geral recusa demitir-se, garantindo que não desiste "facilmente" perante as adversidades. "Não é a minha maneira de ser, nem de estar, assumir que à primeira contrariedade iria desistir", atirou..Momento da fuga captado pelas câmaras de videovigilância.Facebook do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional.Momento da fuga captado pelas câmaras de videovigilância.Facebook do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional.Logo no sábado, horas após a fuga, o Sistema de Segurança Interna (SSI) indicou que foi "agilizada a cooperação policial internacional" para a captura dos cinco reclusos..Na noite de sábado, a Polícia Judiciária, juntamente com guardas prisionais, realizaram buscas no Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus..Os cinco reclusos fugiram na manhã de sábado do Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus, em Alcoentre, no concelho de Azambuja, distrito de Lisboa..Segundo a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), uma avaliação preliminar, com recurso a imagens de videovigilância, aponta para uma fuga dos cinco homens "com ajuda externa através do lançamento de uma escada, que permitiu aos reclusos escalarem o muro e acederem ao exterior".."Conforme o protocolo, foram feitas imediatamente comunicações devidas aos órgãos de política criminal com vista à recaptura dos evadidos", acrescentou a DGRSP em comunicado..Os evadidos são dois cidadãos portugueses, Fernando Ribeiro Ferreira e Fábio Fernandes Santos Loureiro, um cidadão da Geórgia, Shergili Farjiani, um da Argentina, Rodolf José Lohrmann, e um do Reino Unido, Mark Cameron Roscaleer, com idades entre os 33 e os 61 anos..Cumpriam penas entre os sete e os 25 anos de prisão, por vários crimes, entre os quais tráfico de droga, associação criminosa, roubo, sequestro e branqueamento de capitais.