Da indústria pesada, aos designers e artistas

Bairro teve período de abandono, mas novas indústrias voltaram a ocupar os grandes armazéns junto ao rio

Os armazéns continuam os mesmos. Mas onde outrora havia aguardente, fósforos, borracha ou açúcar, agora há impressoras 3D, filmagens e edição de imagem, guarda-roupa, artistas plásticos e cervejeiros. Estes são os novos industriais de Marvila, que há uns seis anos começaram a ocupar os armazéns abandonados das indústrias pesadas.

"Marvila começou a ganhar procura. Fomos indicando outros armazéns. Negócios que vieram para aqui porque são de pessoas que conhecemos. Nos últimos dois anos, tem vindo mais gente, é fixe, acho que trás o perfil de pessoas criativas e técnicos, abriram outros cowork, acaba por vir este tipo de movimentos", descreve Frederico Mancellos, um dos fundadores do espaço Todos, que foi dos primeiros coworks a escolher Marvila, em 2008. O designer nota que o bairro está a ganhar interesse, mas pede que não se esqueçam das pessoas do bairro. "O meu vizinho da frente tem patos e dá ovos para a minha filha. Esta ligação é que faz sentido."

Maria de Fátima Amaral é uma dessas pessoas do bairro que Frederico quer ver envolvida na vida do bairro. Chegou de Resende, Viseu, aos 17 anos e desde então sempre viveu em Marvila. "Naquela altura havia muita gente aqui e ficávamos à noite no jardim, vínhamos todos para a rua." E agora? "É diferente. Agora também há muita gente nova a vir para cá e eu gosto. Só peço é que sejam mais educados na rua. Nem é o barulho, é o lixo que deixam", lamenta a moradora.

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