Prémios HINTT, com o apoio da Glintt, distinguem inovação na saúde

A Glintt, líder ibérica no mercado da saúde, atribui, pelo 6.º ano consecutivo, os prémios HINTT, durante a sua conferência anual, que contou com a presença de Jane Thomason. A empreendedora social, autora, investidora, consultora e estratega em Blockchain defende que os telemóveis serão a principal ferramenta de interação entre as pessoas e os sistemas de saúde e que o mundo caminha para um ecossistema digital imersivo onde este setor terá um papel essencial.

Sem hologramas ou teletransporte, a plateia que assistiu à 6.ª Edição do HINTT - Health Intelligent Talks & Trends, uma iniciativa da Glintt que procura apontar tendências e caminhos de inovação no setor da saúde, acompanhou Jane Thomason, a keynote speaker, numa viagem ao futuro. A meta saúde, o ecossistema e o futuro dos cuidados de saúde foram as paragens principais nesta tour que perspetivou o setor no que diz respeito aos desafios e às oportunidades que a tecnologia lhe aporta.

A nível global, os problemas e os desafios com que os sistemas de saúde se debatem atualmente são muito semelhantes e transversais. E Portugal não é exceção. O elevado peso de doenças crónicas e mentais, o envelhecimento da população, modelos de gestão hospitalar congestionados, menos profissionais de saúde ou sistemas remuneratórios desadequados e antiquados estão a colocar uma forte pressão no setor.

Por outro lado, a pandemia veio demonstrar que é possível incluir um conjunto de soluções que tornem os sistemas mais eficientes, através da tecnologia que já existe. Em todo o mundo, refere Jane Thomason, os últimos dois anos provaram que o setor da saúde pode transformar-se de forma a facilitar a vida de doentes e de profissionais. "A saúde virtual é hoje uma realidade, assim como os diagnósticos por telefone ou vídeo", diz a consultora.

Estas alterações, que aconteceram de forma rápida e natural, estão, contudo, a acelerar a transformação digital na saúde. "Começamos a assistir à entrada das Big Tech no setor, um mercado que já vale 6,8 mil milhões de dólares desde 2020, o que contribui para a multiplicação de dados criados diariamente", salienta Jane Thomason, que recorda que há quase uma década, em 2013, os dados relacionados com a saúde já chegavam aos quatro triliões de gigabytes, com projeções que apontavam para que rapidamente atingissem proporções inimagináveis. "Em 2025, prevê-se que a taxa de crescimento anual de dados na saúde seja de 36%", reforça a autora, sendo mais elevada do que noutros setores como a indústria, os serviços financeiros ou o entretenimento.

"Os humanos estão a ser digitalizados"

Mas, a transformação digital não se limita às organizações. Na perspetiva de Jane Thomason, "os humanos estão a ser digitalizados". A empreendedora explica que, com a utilização de cada vez mais dispositivos conectados inovadores, novas aplicações, novas tecnologias de monitorização, e com o aumento de dados que facilitam as descobertas científicas, os tratamentos inovadores, as novas terapias e os cuidados personalizados, os seres humanos são, eles próprios, cada vez mais digitais. O futuro da saúde será, por isso, progressivamente mais suportado por tecnologias que já estão no mercado, como blockchain, impressão 3D, IoT, Big Data e Data Analytics, Robótica, ou Wearables com Inteligência Artificial. "Hoje, mais de 50% das pesquisas na internet são feitas em smartphones. Estes serão o principal dispositivo na gestão individual da saúde", defende.

O desenvolvimento de um ecossistema digital para a saúde já começa a materializar-se em pequenos projetos dispersos, mas, como acredita Jane Thomason, caminhará para um modelo mais global, imersivo, com a utilização de extended reality e blockchain "para criar espaços para interação entre utilizadores e troca de valor", reforça. Atualmente, mais de 160 empresas estão a construir metaversos na área da saúde, um mercado que, acrescenta a consultora, "já vale 30 triliões de dólares".

O metaverso trará, para a saúde e não só, novas formas de trabalhar, uma economia virtual complementar à física e outras mudanças que, como refere Jane Thomason, "ainda não sabemos quais serão". A autora exemplifica: "Poderemos trabalhar frente a frente com avatares 3D, quadros colaborativos digitais ou modelos 3D através de digital twins". Mais especificamente na saúde, a formação dos profissionais poderá, na sua opinião, beneficiar da utilização de modelos virtuais - com a possibilidade de percorrer o corpo humano com uma visão 360º, simular cirurgias e outros procedimentos clínicos, entre outras -, ou de uma aprendizagem imersiva e de precisão. Do lado do doente, a utilização de avatars para consultas, diagnósticos e tratamentos personalizados, ou participação remota em procedimentos ou cirurgias serão rapidamente uma realidade, acredita a especialista.

Inovação em saúde não é um mito

A excelência e o esforço de inovação das equipas que participaram na 6.ª edição do Prémio HINTT| Maturidade Digital é, nas palavras do presidente do júri da competição, José Martins Nunes, a prova de que a inovação em saúde não é, e não pode ser, um mito. "Temos que reforçar a ideia de saúde como um valor nacional", disse o médico e ex-secretário de Estado da Saúde, que realçou igualmente a qualidade do trabalho desenvolvido por todas as equipas a concurso.

Recorde-se que, após as candidaturas, foram selecionados 10 finalistas, apresentados recentemente pelo Diário de Notícias, que concorriam a quatro categorias - StarUp Innovation, Value Proposition, Clinical Outcomes e Patient Safety. Este ano, e pela primeira vez, foi atribuída uma nova distinção -- Born from Knowledge - Bfk -, numa parceria com a Agência Nacional de Inovação (ANI), cujo objetivo é distinguir os projetos que "nasçam do conhecimento" e as empresas que mais se destacam em atividades de Investigação & Desenvolvimento.

"As categorias pretendem evidenciar como a tecnologia pode fazer a diferença na gestão das unidades de saúde e na sua relação de proximidade com o doente. Os projetos que têm palco no HINTT apresentam uma visão de futuro para a Saúde em Portugal, alicerçados em inovação, tecnologia e liderança resiliente", explicou Filipa Fixe, administradora executiva da Glintt. E os vencedores são...

eBreathie, na categoria "StartUp Innovation + BfK Awards

A jovem startup eBreathie venceu o prémio Startup Innovation com o smart-inhaler que recebeu o mesmo nome. Trata-se de um dispositivo médico que se liga ao inalador tradicional de um doente asmático, transformando-o num inalador "inteligente" e conectável. "De cada vez que o doente usa o seu inalador, o nosso dispositivo recolhe vários dados, cria o seu perfil inspiratório e dá-lhe feedback imediato sobre se fez a sua medicação de forma correta", explica Ana Rita Constante, CEO. Estes dados são depois disponibilizados ao médico assistente, o que garante um cuidado de saúde personalizado e à distância.

O eBreathie foi também o projeto vencedor da distinção Born from Knowledge Awards pelo trabalho de investigação e desenvolvimento que comporta. Nas palavras da CEO, este reconhecimento é fundamental para dar continuidade ao projeto e prova que a equipa está no caminho certo. Ana Rita Constante revela ainda que os dois prémios serão investidos em testes para recolher dados específicos sobre o controlo da doença e a melhoria da qualidade de vida dos doentes. Os testes laboratoriais serão realizados até ao fim do ano e, em 2023, a CEO prevê que arranquem os testes clínicos com doentes voluntários.

Sobre as distinções, a médica e CEO revela-se surpreendida com o BfK Award, apesar de reconhecer que se enquadra com o trabalho subjacente ao desenvolvimento do eBreathie, que "tem uma enorme base científica que conduziu à solução tecnológica encontrada". O trabalho que a startup fará agora em parceria com a Agência Nacional de Inovação será "muito interessante e permitirá desenvolver o eBreathie e dar-lhe maior visibilidade nacional e internacional", acredita.

Na perspetiva de Jane Thomason, "os humanos estão a ser digitalizados".

Sistema de Custeio por Doente, na categoria "Value Proposition"

O projeto vencedor, desenvolvido pelo Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC), através do Hospital de Santa Marta, é, na perspetiva de Anabela Ferreira da Costa, "uma componente de inovação nos sistemas de custeio dos sistemas de saúde". A administradora hospitalar adjunta do Conselho de Administração reconhece que este prémio representa o reconhecimento e o estímulo para seguir em frente e para expandir a metodologia a outras áreas do centro hospitalar que representa e, quem sabe, em muitos outros. "Esta é uma nova abordagem e metodologia para os sistemas de custeio que gostaríamos de dar a conhecer e partilhar com outras organizações de saúde nacionais e internacionais". Recorde-se que o Sistema de Custeio por Doente é um modelo de apuramento de custos suportado por uma ferramenta de exploração de dados desenvolvida internamente pelo centro hospitalar que permite saber, ao pormenor, quanto é gasto em cada procedimento, permitindo otimizar os custos.

+Perto, na categoria "Clinical Outcomes"

Há três anos a trabalhar no +Perto, a equipa do Centro Hospitalar Tâmega e Sousa congratula-se com a validação que peritos externos reconhecem ao projeto através da atribuição desta distinção. "Demonstra que estávamos certos na loucura inicial", assume Tiago Araújo, um dos responsáveis.

O projeto consiste na implementação de um programa de reabilitação digital, acompanhado por um canal de comunicação e monitorização, via APP, em pessoas propostas e submetidas a Artroplastia Total do Joelho e aos seus cuidadores. Agora, com a ajuda do prémio, este programa poderá ser alargado a outros doentes na área da ortopedia e servir de exemplo a outras especialidades. "Numa segunda fase poderemos também usar o +Perto em mais doentes", explica Tiago Araújo.

Este ano, e pela primeira vez, foi atribuída uma nova distinção - Born from Knowledge - Bfk -, numa parceria com a Agência Nacional de Inovação (ANI)

iTeams inclusivo, na categoria "Patient Safety"

Colocar a comunicação inclusiva na palma da mão de cada bombeiro através do iTEAMS Mobile é o objetivo futuro do iTeams inclusivo, projeto desenvolvido pelo INEM e que inclui a ligação a um intérprete de língua gestual, com vista a garantir o melhor atendimento no SNS24 para membros da comunidade surda. Segundo Filipa Barros, a médica responsável, em 2023 o projeto estará implementado a 100% dentro do INEM, mas o prémio que agora recebe ajudará a concretizar a próxima meta. "O iTEAMS Mobile ampliará a utilização e permitirá reduzir os custos de investimento das entidades (bombeiros, etc.), que poderão usufruir das vantagens do programa informático num dispositivo menos caro", explica a responsável, que garante que a distinção abre igualmente a porta da interoperabilidade no SNS.

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