Tentou matar mulher por ciúmes, barricou-se e acabou por se suicidar

A relação tinha terminado há dias, contra a vontade do homem de 30 anos.

Foi uma madrugada trágica na rua Liége, na Moita. Pouco passava da uma da manhã, quando gritos seguidos de tiros alertaram os vizinhos de que algo muito grave tinha acontecido no terceiro andar do prédio onde viviam Miguel e Paula, um casal em fase de separação. Os vizinhos chegaram a temer o pior, mas a mulher conseguiu fugir de casa, apesar de ter sido alvejada no maxilar.

Estará estável e livre de perigo, segundo apurou o DN. Miguel, que trabalhava como segurança em hospitais da região, barricou-se e nunca respondeu às tentativas de contacto dos negociadores da GNR. Já eram 07.00 horas quando elementos das operações especiais decidiram entrar à força na casa, encontrando o agressor morto.

Familiares e vizinhos que estiveram a pé durante toda a noite sabiam que a relação, que durava há mais de um ano, tinha terminado há dias, contra a vontade do homem, de 30 anos, apontado como "pessoa muito ciumenta e conflituosa", segundo um amigo do pai de Miguel. "Ele sempre teve muitas namoradas, mas a rapariga nunca podia fazer nada, que ele ficava logo zangado", relata a mesma fonte, admitindo que Miguel pudesse andar psicologicamente perturbado depois de recentemente o irmão e a mãe também se terem suicidado.

O homem, que deixa um filho de uma outra relação, nunca aceitou que Paula, de 34 anos, quisesse terminar o namoro. Terá tentado reatar, mas perante a determinação da mulher resolveu partir para a violência física, que esta noite terá sido "bem audível" entre a vizinhança. "Mas nunca se pensou que ele teria uma pistola e, muito menos, que fosse capaz de disparar contra ela", diz a fonte do DN.

Foi em camisa de dormir e a esvair-se em sangue que Paula fugiu para a rua, vindo a pedir ajuda num café que ainda estaria aberto. Seria socorrida pelos vizinhos até à chegada do INEM, que a estabilizou, acabando por ser transportada para o Hospital de São José, em Lisboa.

Miguel ficou em casa, de porta fechada e não terá falado com mais ninguém. Bem tentaram os negociadores da GNR, que cerca das 02.00 horas foram para a rua Liége, que Miguel se entregasse. Além dos elementos do corpo territorial, a GNR destacou para o terreno o corpo de intervenção, equipas cinotécnicas e a equipa de operações especiais.

Foi montando um perímetro de segurança à volta do prédio, tendo sido a própria irmã de Miguel, que também ali vive, a colaborar com a GNR, fornecendo alguns pormenores sobre o caso e acessos do edifício.

Após cerca de cinco horas sem conseguir contacto com o suspeito, eis que os operacionais da Guarda lançam quatro granadas de mão, a partir do telhado, para a varanda do apartamento onde se encontrava o homem, com objetivo de o "atordoar". Seguiu-se o arrombamento da porta, mas já Miguel tinha posto termo à vida.

A PJ, para quem passou a investigação, esteve na casa a recolher indícios, antes do corpo ter sido retirado pelo Bombeiros da Moita, já depois das 09.30 horas.

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