PSP intervém em desacatos no bairro 6 de Maio

A PSP foi esta noite chamada ao bairro 06 de maio, na Damaia, Lisboa, para garantir um perímetro de segurança para que os bombeiros pudessem apagar vários focos de incêndios ateados por jovens, que provocaram desacatos.

O comandante dos Bombeiros da Amadora, Mário Conde, adiantou à agência Lusa que vários jovens do bairro "formaram barreiras nas estradas com caixotes de lixo e sofás velhos" para impedir a circulação dos meios de socorro, enquanto ateavam fogo a uma viatura, partiam janelas de estabelecimentos comerciais e atiravam pedras aos carros que passavam.

Cerca das 02:00 encontrava-se no local uma viatura completamente ardida, bem como uma fachada de um prédio, na Avenida Dom Pedro IV. São visíveis no chão vidros de montras de estabelecimentos e de janelas de prédios, muitas pedras e até um cartucho de caçadeira, bem como vários contentores de lixo tombados e ardidos, como testemunhou a agência Lusa no local.

Todos os acessos ao bairro, considerado problemático pelas autoridades, estão bloqueados com perímetros de segurança montados pela polícia, para evitar que mais viaturas sejam apedrejadas, num aparatoso dispositivo policial, com mais de uma dezena e meia de viaturas das autoridades.

Fonte policial adiantou que lhes foi relatado que antes da chegada da polícia foram ouvidos tiros dentro do bairro.

Um grupo de moradores que se encontra no local, disse à agência Lusa que os desacatos desta noite estarão relacionados com a morte de um jovem de 15 anos, que faleceu hoje numa unidade hospitalar da zona, alegadamente na "sequência de um espancamento".

Segundo Jessica Alves, ex-cunhada do jovem, conhecido por "Mucho", ele foi internado há duas semanas no hospital "depois de ter sido violentamente espancado por elementos da PSP" durante uma operação no bairro.

"Ele já andava, já comia e já estava a ficar bem, mas ontem [terça-feira] rebentou-lhe uma veia, ficou em coma e acabou por morrer", disse Jessica, de 19 anos, acrescentando que ainda hoje esteve com a mãe do jovem falecido.

Uma outra jovem referiu à Lusa que os moradores do bairro estão revoltados, porque apesar de "Mucho" já ter tido alguns problemas com a Polícia, "não merecia isto".

Fonte do comando da PSP disse à Lusa desconhecer qualquer relacionamento entre os desacatos desta noite e a alegada morte do jovem.

No local, uma fonte também da polícia disse à Lusa que "os ânimos estão agora calmos" no bairro, mas que o efetivo vai continuar como medida preventiva.

Além da PSP, com Secções de Intervenção Rápida e Corpo de Intervenção, estão no local elementos dos Bombeiros e da Proteção Civil.

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