Rúben Cavaco não perdoa os gémeos iraquianos. E evita sair à rua

"Para andar na rua, como estou, não é fácil", admitiu à SIC Rúben Cavaco, o jovem de Ponte de Sor que, alegadamente, foi agredido pelos irmãos Haider e Ridha, filhos do embaixador do Iraque em Portugal.

Rúben Cavaco, 16, falou (e mostrou-se pela primeira vez) depois das agressões de que foi alvo em agosto, em Ponte de Sor, onde vive. Falou, também dos seus alegados agressores, os gémeos Haider e Ridha, que gozam de imunidade diplomática por serem filhos do embaixador do Iraque em Portugal e não responderam às autoridades. "Nunca os tinha visto em Ponte de Sor", afirmou esta quinta-feira, entrevistado pela SIC.

O jovem, que tinha 15 anos à data das agressões, ainda não foi à escola, falta-lhe um dente da frente e respondeu quase sempre por monossílabos. "Sim" foi tudo o que respondeu ao jornalista da SIC quando este lhe mostrou -- e perguntou -- se eram aqueles os rapazes que o tinham agredido em agosto.

"Se lhes pudesses dizer alguma coisa, o que seria?", perguntou ainda o repórter. "Nada", responde Rúben. "Nem os [quero] ver."

Na entrevista que concederam à SIC, os irmãos gémeos admitiam que tinham agredido e garantiam que também tinham sido agredidos. Rúben Cavaco nega que tenham existido insultos. Os amigos com quem estava não são más pessoas, garantiu.

Diz que se lembra dos dois irmãos no bar, mas tem falhas de memórias. E sobre as agressões diz mesmo que não se lembra de nada -- está aconselhado pela família e pelo advogado Santana-Maia Leonardo, uma vez que o processo está em segredo de justiça.

Haider e Rhida são suspeitos de homicídio na forma tentada, mas ainda não foram chamados para interrogatório. O embaixador foi chamado a Bagdad e os chefes diplomáticos de Portugal e do Iraque, estão em Nova Iorque para debater este assunto. O ministério dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, pediu o levantamento da imunidade diplomática dos gémeos.

Este estatuto, impede os dois irmãos de serem chamados perante a Justiça portuguesa, apesar de terem sido detidos pela GNR em Ponte de Sor.

"Exteriormente está bom, mas o interior está muito mau", diz a mãe

Rúben Cavaco esteve em coma induzido e só deixou os cuidados intensivos no final de agosto, para ir ficar na casa dos avós. Garante que está "igual", mas a mãe, pelo contrário, descreve o filho "exteriormente está bom, mas o interior está muito mau". Lembra os tempos em que o rapaz passava os dias aos pulos e compara com o que vê agora, que diz ser "triste". "Tem lapsos de memória".

Enquanto esteve internado, os dois irmãos deram uma entrevista, também à SIC, em que admitiam ter agredido Rúben Cavaco e de terem sido, eles próprios, agredidos. Haider dizia que a situação tinha sido "uma receita para o desastre".

"Quando temos adolescentes, álcool, mentalidade de grupo, as coisas descontrolam-se", "especialmente com adolescentes, com as hormonas e as emoções muito fortes", justificou. "Perdemos completamente [o controlo] e gostaria de pedir desculpas", continua Haider.

Na entrevista, o advogado e a mãe dizem que Ruben tem de ser indemnizado. "Não sou eu que vou pagar os tratamentos que o Rúben precisa. Quem tem de pagar é quem o agrediu", afirmou, acrescentando que o jovem precisa de um "tratamento à boca". Depois de Rúben ter saído do hospital, a família mostrou-se disponível para chegar a acordo com os dois irmãos.

Santana-Maia Leonardo fala de uma compensação por danos morais, pelo tempo que passou no hospital e "se ficar com alguma incapacidade para o trabalho". "Uma indemnização de acordo com a incapacidade".

Desde que as agressões foram tornadas públicas, o embaixador enviou um ramo de flores à mãe de Rúben Cavaco. "Acredito que não se sinta bem com a posição dos filhos", relevou a mãe de Rúben, ao mesmo tempo que admitia que esperava uma reação diferente.

A imunidade dos dois irmãos iraquianos ainda não foi levantada. Só depois disso, poderão ser interrogados.

[atualizada às 21.15: corrige idade de Rúben Cavaco]

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