Presidente acelera o ritmo. Cá dentro está com os fracos, lá fora com os poderosos

Chovem convites a pedir a sua presença, mas Marcelo não consegue dar resposta a todos. A equipa faz a triagem, a última palavra é sua

O ritmo mudou em Belém. Os convites invadem diariamente o palácio onde Marcelo poucas horas permanece, porque a agenda, que o próprio vai gerindo, assim o impõe. Ontem completou um mês de presidência, passados a uma velocidade frenética, de norte a sul do país. Planos para os tempos que se seguem já estão feitos e incluem viagens por quase todos os continentes, em Portugal o estilo será algo semelhante ao de Mário Soares. Para já, hoje não terá folga, marca presença no 140.º aniversário da Caixa Geral de Depósitos, em Belém.

De fóruns e conferências a iniciativas de cariz vincadamente social, passando ainda por espetáculos culturais, chovem diariamente convites ao Presidente para estar presente nos mais diversos eventos. Como planifica os seus dias? Como decide onde vai e quem recebe? Há uma primeira triagem feita pela sua equipa de colaboradores mais próximos. Mas, depois, a segunda já é feita pelo próprio Presidente, que, apesar da proximidade que quer que seja o principal traço do seu mandato, não consegue dar resposta aos inúmeros convites que lhe chegam. A última palavra é sempre do Chefe do Estado.

Marcelo imprimiu outra dinâmica ao exercício do cargo e procura não deixar passar em claro as efemérides nacionais e internacionais. Em Belém germinam as ideias para que as iniciativas simbólicas ganhem forma. Ora a solo ora em brainstorming com o seu staff. E já delineou a sua presidência à Mário Soares: cá dentro, com as presidências abertas dos afetos - denominadas "Portugal Próximo" -, e lá fora, onde vai colecionando prestígio internacional junto de figuras de topo mundial. Isto ao mesmo tempo que se aproxima das comunidades. O "Portugal Próximo" começa a alertar para as dificuldades do interior e das regiões de baixa densidade e, por isso mesmo, as primeiras viagens das presidências abertas são ao cada vez mais desertificado Alentejo. Começam já neste mês e vão abranger os três distritos da região (Évora, Beja e Portalegre). Na mesma linha de visitar as zonas mais esquecidas, irá depois às Beiras e a Trás-os-Montes.

Porém, o intuito não é apenas esse. O Chefe do Estado quer reconciliar os cidadãos com a política, tenciona reaproximar os eleitores das instituições democráticas e quer aproveitar a lua-de-mel em que está para iniciar o caminho.

Há também uma agenda intensa fora do país. Logo uma semana após a tomada de posse esteve com o Papa Francisco no Vaticano e, no mesmo dia, com o rei de Espanha, Felipe VI, em Madrid. Até junho, vai estar com o presidente francês, François Hollande - com quem vai almoçar -, com o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, e ainda é possível que esteja com Angela Merkel.

A próxima visita é mesmo a Estrasburgo e começa já na terça-feira. Nesse dia, Marcelo e a comitiva que o acompanha fazem uma visita pelo centro histórico da cidade, que inclui uma visita à catedral. Ao final da tarde, o Presidente recebe em audiência a secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Margarida Marques, e o representante de Portugal junto da União Europeia, Nuno Brito. Tem depois ainda um encontro com os eurodeputados portugueses.

No dia seguinte, após presidir ao debate no hemiciclo sobre Imigração e a Turquia, Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, irá receber Marcelo, no edifício daquela instituição. Antes do almoço, Marcelo fará uma intervenção no Parlamento Europeu. No discurso prevê-se que aborde as temáticas dos refugiados, da ameaça terrorista, do papel de Portugal na UE e da própria crise europeia. Segue-se um encontro com os funcionários portugueses do Parlamento Europeu, com objetivo de conhecer a instituição e estar junto de emigrantes. Marcelo vai estar depois até ao final do mês em Portugal, a promover a etapa alentejana do "Portugal Próximo". A 30 de abril fará uma visita oficial a Itália, onde estará até 2 de maio. No dia seguinte segue para a primeira visita de Estado, que será a Moçambique. A relação com Filipe Nyusi é próxima e o presidente moçambicano foi um dos dois chefes de Estado que estiveram na tomada de posse de Marcelo - o triângulo internacional está definido: Europa, África e Brasil.

A 23 e 24 de maio haverá nova visita de Estado: Berlim. Está em aberto a possibilidade de se encontrar com a chanceler alemã, Angela Merkel. A 10 de junho, nas primeiras comemorações deste dia fora do país, Marcelo fará a tradicional parada militar ainda de manhã em Lisboa, mas seguirá para Paris, onde se encontrará com a comunidade portuguesa. Está ainda em estudo se Marcelo se encontra com a seleção de futebol, que estará em França na altura no Europeu 2016. Resta saber se o Presidente fica até ao primeiro jogo dos comandados de Fernando Santos, contra a Islândia a 14 de junho, em Saint-Étienne.

Há ainda outras viagens que Marcelo vai ter de colocar na agenda, já que terá de representar o Estado na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa, em Brasília. Em setembro, irá à reunião do grupo de Arraiolos, em Sófia, que reúne os presidentes sem poder executivo de vários países europeus. Em outubro, participará na Cimeira Ibero-Americana, na Colômbia.

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