Marcelo desvaloriza apoios do PSD e do CDS

Ex-comentador diz que não terá financiamento partidário. Maria de Belém põe em causa a sua "estabilidade"

Para Marcelo Rebelo de Sousa, o que se passou na quinta-feira à noite nos conselhos nacionais do PSD e do CDS não representou verdadeiramente "um apoio". E ainda bem, salientou.

"Aceito os apoios, agradeço os apoios, mas no caso até nem foi sequer um apoio, foi uma recomendação de voto", disse ontem, citado pela Lusa, ao falar à margem da apresentação de um livro de uma associação para a integração de pessoas deficientes, na Amadora. E isso - acrescentou - "significa que fica reforçada a independência, não há financiamentos, nem dependências de campanhas". "É verdade que tive uma vida ligada ao PSD e que fui apoiado várias vezes pelo CDS, mas presidente é presidente e será presidente de todos os portugueses, não do PSD ou do CDS."

Marcelo disse ainda estar a ser para si uma "dor de cabeça" a recolha de assinaturas. Isto "porque as pessoas levam a minha casa as assinaturas, entregam na faculdade. A recolha das assinaturas por todo país tem sido lenta e o processamento lento. Não tenciono estar em condições de entregar as assinaturas antes do fim do prazo".

Desvalorizou, por outro lado, as sondagens que lhe dão vantagem - como a que ontem foi publicada no DN: "É muito cedo. Não quero entrar em euforias. Continuo a ter expectativas baixas fazendo tudo para que o resultado seja o melhor possível, a vitória, se possível à primeira volta."

Ataques de personalidade

Ontem à noite, entrevistada na SIC, Maria de Belém atacou Marcelo não pelo que defende mas por razões de personalidade. Recordou que o próprio se afirma como "hiperativo" e que reconhece que "telefona a desoras às pessoas" para concluir que há no ex-comentador político e ex-líder do PSD um problema de "estabilidade". Ora, acrescentou, "a função [presidencial] precisa de uma pessoa com grande estabilidade". E além disso Marcelo "passa a vida a fazer de conta que é o que não é", e tanto assim que até apoiou Cavaco Silva para Presidente e aceitou ser, a seu convite, membro do Conselho de Estado, passando-lhe agora "uma rápida certidão de óbito".

Confrontado ontem pelo DN com a sondagem da Católica que dá a Marcelo uma vitória folgada logo à primeira volta, Manuel Alegre, apoiante de Maria de Belém, considerou que "a esquerda e o PS só devem queixar-se de si próprios". "Seria bom que se tivesse aprendido a lição [de 2006, quando a esquerda, dividida em múltiplas candidaturas, facilitou a eleição de Cavaco Silva logo à primeira volta]. Mas não se aprendeu." E "é uma ilusão pensar que com Marcelo como Presidente irá haver uma boa coabitação [com um governo do PS]". "As coisas repetem-se..."

Falando ontem em Almada, Sampaio da Nóvoa procurou explorar os apoios do PSD e do CDS a Marcelo colando o candidato às políticas seguidas entre 2011 e 2015. "O candidato Marcelo Rebelo de Sousa, há pouco mais de dois meses, esteve em ações de campanha nas legislativas, em comícios da coligação. Parece-me normal que agora a coligação, Passos Coelho e Paulo Portas, retribuam também esse pedido de voto no candidato Marcelo Rebelo de Sousa, o que mostra que é um candidato que, obviamente, representa as políticas que nos últimos quatro anos tiveram lugar em Portugal, as políticas de austeridade."

Portanto, Marcelo Rebelo de Sousa é um "candidato "esconde-esconde"". "Quando foi comentador, escondia que era candidato, e agora que é candidato procura esconder o que são as suas raízes, as suas filiações e os seus compromissos com as políticas que trouxeram Portugal aonde trouxeram: ao empobrecimento, à pobreza a uma situação de grandes dificuldades."

Com Lusa

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