Um centro de espionagem nas Lajes? EUA não confiaram em Portugal

Diretores da CIA e da NSA recusaram a proposta de um congressista republicano descendente de açorianos

A ideia, conta a edição de domingo do New York Times (NYT), partiu de Devin Nunes, um congressista republicano descendente de açorianos. Nunes queria que fosse instalada na Base das lajes um centro de processamento de informação da NSA (Agência Nacional de Segurança), mas quer esta agência como a CIA não confiaram em Portugal para gerir informação confidencial norte-americana.

O Público avança ainda que a proposta do congressista chegou a Lisboa. "Foram apresentadas várias opções durante os contactos que mantivemos e essa foi uma delas", confirmou ao jornal um alto funcionário do anterior Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O NYT jornal evidencia a "obsessão de Nunes" pelo arquipélago e descreve como este tentou, de diversas formas, contrariar o desinvestimento dos EUA na Base das Lajes: propôs instalar na ilha Terceira de uma base de drones para combater o extremismo islâmico no Norte de África e ainda transformar a base num centro avançado para o Comando Africano do Exército Norte-Americano.

A ideia de criar um centro de espionagem nas Lajes embateu nas reservas (várias) das secretas dos EUA . Portugal não integra os Five Eyes - aliança entre os serviços secretos da Austrália, Grã-Bretanha, Canadá, Nova Zelândia e EUA e ainda foi posta em causa a capacidade dos portugueses de protegerem a informação classificada.

Devon Nunes não desistiu e pressionou ainda Mike Rogers, um congressista igualmente republicano e que esteve à frente da Comissão dos Serviços Secretos desde 2011 e até 2015. Nunes instigou-o a inserir uma adenda à legislação que obrigaria a NSA a instalar-se na base das Lajes.

A nova recusa levou o descendente de açorianos a falar com os diretores da CIA e da NSA, que também recusaram a proposta.