Rui Rangel faltou às sessões que tinha agendadas no Tribunal da Relação

O juiz é arguido na Operação Lex mas ainda não foi suspenso de funções. Polícia chamada ao local

Rui Rangel tinha agendadas para hoje, no Tribunal da Relação de Lisboa, onde é juiz desembargador na 9.ª secção criminal, quatro sessões para publicação de acórdãos, num dos quais era relator. Não compareceu por "motivos de natureza pessoal", segundo explicou o tribunal. Mas a explicação só surgiu depois de os jornalistas terem chamado a PSP.

Arguido na Operação Lex por suspeita de usar a sua influência junto dos colegas magistrados para influenciar decisões judiciais - alegadamente a favor de Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, ou do empresário José Veiga -, o juiz ainda está em funções na 9.ª secção criminal do Tribunal da Relação de Lisboa. Uma suspensão só poderá acontecer na sequência de uma decisão do Conselho Superior da Magistratura (CSM), o órgão disciplinar dos juízes.

O que ainda não aconteceu pois o CSM só irá reunir-se depois de ser informado oficialmente pelo Ministério Público da constituição dio juiz como arguido. A ex-mulher, a juíza desembargadora Fátima Galante, da 6.ª secção cível da Relação de Lisboa, também arguida, está na mesma situação.

Para esta tarde, o juiz Rui Rangel tinha quatro sessões agendadas, mas não compareceu por "razões de natureza pessoal".

Segundo descreve a agência Lusa, esta informação do presidente do Tribunal da Relação de Lisboa, Orlando Nascimento, foi disponibilizada aos jornalistas após estes terem sido impedidos de consultar as pautas sobre as decisões da nona secção criminal previstas para hoje.

Os jornalistas solicitaram a presença da PSP para que fosse facultado acesso ao espaço onde estão fixadas as decisões do tribunal e só após a chegada da polícia é que foi divulgada a nota do presidente do TRL.

A Operação Lex investiga suspeitas de corrupção/recebimento indevido de vantagem, branqueamento de capitais, tráfico de influências e fraude fiscal.

Na operação, desencadeada na terça-feira, foram realizadas 33 buscas, das quais 20 domiciliárias, nomeadamente ao Sport Lisboa e Benfica, à casa de Luís Filipe Vieira e dos dois juízes e a três escritórios de advogados. Cinco pessoas foram detidas, entre elas um oficial de justiça, dois advogados e o filho de um destes, e há 12 arguidos.

Os primeiros interrogatórios aos detidos começaram ontem à noite no Supremo Tribunal de Justiça. Os juizes Rui Rangel e Fátima Galante só deverão ser ouvidos nos dias 8 e 9.

* com Lusa

Ler mais

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.