Robles em Lisboa: "Vou assumir este mandato por inteiro"

Bloco de Esquerda recuperou o lugar de vereador na capital

É o rosto de uma vitória para o BE: Ricardo Robles recuperou o lugar de vereador de Lisboa para os bloquistas, um objetivo que escapava ao partido desde 2009. Às 23.15, subiu ao palco da Sala José Saramago, no Palácio Galveias, em Lisboa para saudar "um grande resultado" na cidade de Lisboa. "O Bloco de Esquerda passa a estar na Câmara Municipal de Lisboa."

Sempre muito aplaudido, Ricardo Robles notou que os bloquistas tiveram um crescimento nas freguesias e assembleia municipal (mas por enquanto são projeções).

O candidato disse que vai "assumir este mandato por inteiro" e que "dedicará o melhor que [sabe] à cidade de Lisboa", recuperando dois apelos da sua campanha de "transparência e diálogo" e duas das suas principais bandeiras, a habitação e os transportes.

Falhada a retirada de uma maioria ao PS em Lisboa, Ricardo Robles insistiu que os bloquistas estão "disponíveis para uma viragem política na Câmara de Lisboa", "algo que não foi feito nos últimos quatro anos".

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?