População quer militares portugueses em Bambari

ONU e autoridades receberam memorando a defender atuação imparcial dos paraquedistas, depois de numa manifestação terem sido acusados de "crimes contra a humanidade"

A população cristã de Bambari elogiou quarta-feira "a imparcialidade" da atuação dos militares portugueses ao serviço da ONU na República Centro Africana (RCA) e defendeu a sua permanência naquela localidade a 400 quilómetros da capital, Bangui, soube o DN junto de fontes militares.

A informação consta de um memorando assinado quarta-feira por membros da comunidade de Bambari, onde um grupo minoritário muçulmano acusou as tropas portuguesas de praticarem "crimes contra a humanidade", e enviado ao presidente, ao chefe do governo e ao presidente do Parlamento da RCA, bem como ao representante da ONU e aos embaixadores acreditados naquele país.

Cópias do documento foram entregues no final de uma marcha de cerca de 3000 populares pelas principais ruas de Bambari e que terminou junto do Tribunal, onde os manifestantes cantaram o hino nacional da RCA.

Na base do apelo à "manutenção pura e simples das forças especiais portuguesas" em Bambari, "devido à sua imparcialidade", o documento cita expressamente "o memorando da comunidade muçulmana a exigir a partida imediata" dos paraquedistas e o apoio dado aos grupos armados por parte dos capacetes azuis da Mauritânia estacionados na região.

Recorde-se que os militares portugueses têm estado envolvidos em fortes confrontos com grupos armados em Bambari, que utilizam as redes sociais e organizam protestos públicos de simpatizantes para o que a ONU qualifica como "manipulação para acicatar as tensões religiosas" e intercomunitárias.

"Nós, população de Bambari e das regiões afetadas" pela violência dos grupos armados que ali operam, começam o documento com fortes críticas à marcha de protesto ali realizada há um mês "por um punhado de pessoas instrumentalizadas pelo contingente mauritano [da ONU] e elementos" do movimento UPC, liderado por Ali Darrassa.

Os signatários apelaram ainda às forças da ONU (MINUSCA), onde o contingente português atua como Força de Reação Rápida, que retirem de imediato o contingente de capacetes azuis da Mauritânia, a quem qualificam "como terroristas".

Note-se que esta quarta-feira, em comunicado, o Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA) rejeitou as referidas acusações feitas contra a atuação dos militares portugueses na RCA: "As ações dos militares portugueses têm-se sempre caracterizado por uma atitude de total imparcialidade e sem qualquer tipo de descriminação, no estrito cumprimento da missão que lhe foi cometida e no respeito pelo quadro legal aplicável, tendo sido recentemente, mais de uma vez, publicamente reconhecidas e elogiadas nomeadamente pela ONU."

Frisando que "o recurso às armas apenas ocorre em situações limite em que os militares portugueses se encontram debaixo de fogo", o EMGFA lembrou ainda que, nos confrontos de 30 de maio, a força portuguesa se "deparou com uma situação de confronto entre elementos armados e contra a população, a qual veio a obrigar ao uso da força para fazer cessar as agressões e proteger os civis, assim como para garantir a segurança dos elementos nacionais e a missão da ONU em geral".

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

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