Fim da mudança da hora gera debate na Europa

Parlamento Europeu quer acabar com hora de Verão alegando efeitos negativos no bioritmo. Mas a ideia não é consensual

Os deputados europeus pediram à Comissão Europeia que faça uma "avaliação pormenorizada" sobre a necessidade de todos os anos os 28 Estados membros alterarem os relógios para o horário de inverno e horário de verão. A moção foi aprovada na quinta-feira com 384 votos a favor e 153 contra, depois de a ideia ter sido lançada pela Finlândia,cuja capital, Helsínquia, é a que fica mais a norte da União Europeia. O Parlamento Europeu (PE) baseou-se num estudo que realizou em outubro de 2017, o qual defendeu a extinção do horário de verão, tão apreciado pelos povos do sul da Europa - como Portugal -por implicar mais horas durante o dia.

Mas a Comissão Europeia não está entusiasmada com a ideia embora vá estudar os efeitos da mudança da hora. A comissária eslovena Violeta Bulc lembrou que se uns Estados membros mudarem de hora e outros não, será problemático para o mercado único.

Os eurodeputados críticos do sistema alegam que a mudança da hora duas vezes por ano pode provocar problemas de saúde a longo prazo. E referem estudos científicos que mostram que a mudança horária provoca uma disrupção do sono e pode ter impacto negativo na produtividade , no trabalho e nos negócios.

O diretor do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), Rui Agostinho, tem dúvidas sobre as vantagens em acabar com a tradição da mudança da hora. "Nunca foi feito um estudo científico profundo sobre o comportamento da economia, do trânsito, os negócios, dos transportes e acidentes de viação, em função da mudança da hora", comenta. "Enquanto a Europa não fizer uma análise destas em relação a cada um dos 28 estados membros vamos estar sujeitos apenas a opiniões pessoais", argumenta Rui Agostinho. O diretor do OAL critica a ideia veiculada de que acabar com o horário de Verão seria bom para os negócios. "Essa é uma ideia falaciosa porque no espaço europeu vamos sempre ter a mesma hora relativa. Quando Portugal muda a hora, a Hungria também muda. Se a hora muda para todos os países da União Europeia, as Bolsas de Valores continuam a trabalhar na mesma hora relativa".

O diretor do Observatório Astronómico de Lisboa também não se convence com "os argumentos dos benefícios para a indústria dos transportes ou da redução do consumo de energia que viriam com o fim do horário de verão. Em toda a atividade humana há consumo de energia e o que se poupa à tarde consome-se de manhã".

Fora da União Europeia há países que decidiram acabar com os horários de verão e inverno, como a Rússia, a Islândia ou a Turquia. Rui Agostinho lembra também outros Estados que não têm horário de Verão como os países do Norte de África ou a Venezuela, todos os que estão na região equatorial do planeta."Mas não estarão aí as economias mais punjantes do mundo", refere.

Também Manuel Carvalho da Silva, coordenador do Centro para os Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, e ex-líder da CGTP, é crítico em relação à moção apresentada pelo PE. "É uma proposta de burocratas e tecnocratas europeus. Do ponto de vista do interesse das pessoas epara proteção da sua saúde e manutenção de hábitos e aspetos clturais é muito mais lógico que cada país tenha uma hora mais próxima da realidade do fuso horário em que está inserido", afirma. "Agora passarmos o tempo da atividade humana para a noite em nome da normalização europeia não me parece bem".

No resto do mundo, países como os Estados Unidos também mantém a tradição da mudança da hora, um hábito que começou no início do século passado, associado ao racionamento de energia na Primeira Guerra Mundial.

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