Desemprego real atinge 17,5% em 2017. Inclui pessoas que não contam

Números do desemprego são o dobro dos dados oficiais no terceiro trimestre de 2017, que estavam nos 8,5%. No pico da crise valores atingiram os 28,1%.

Os números do desemprego chegaram aos 17,5%, no terceiro trimestre de 2017, e não aos 8,5% oficiais, ao considerarmos os "conjuntos de pessoas que não contam" para as estatísticas oficiais, avança esta sexta-feira o jornal Público, citando um trabalho de desocultação do impacto real da crise levado a cabo por dois investigadores do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do Instituto Universitário de Lisboa.

No pico da crise o desemprego real chegou aos 28,1% (no primeiro trimestre de 2013, muito acima dos 17,5% oficiais, que já eram números históricos.

Para calcular estes valores, os investigadores Frederico Cantante e Renato Miguel do Carmo incluíram os desencorajados, os subempregados, os inativos indisponíveis para trabalhar (por terem alguém a cargo ou estarem doentes) e os chamados "ocupados dos centros de emprego".

Este "universo de pessoas que têm uma relação muito frágil com o mercado de trabalho", como define Frederico Cantante, nas páginas do jornal Público, apresentam indicadores que diminuem a um ritmo muito mais lento do que a taxa de desemprego.

Aos indivíduos sem emprego, que o procuram ativamente e estão disponíveis para trabalhar (que é como o Instituto Nacional de Estatística contabiliza os dados oficiais de desempregados), este estudo juntou mais quatro categorias:

- os "desempregados desencorajados" (pessoas que, nas três semanas anteriores à realização dos inquéritos, não procuraram emprego, por já não acreditarem que o arranjariam), uma categoria que aumentou significativamente (só de 2011 para 2013 houve um salto de 82%) nos anos da crise;

- os subempregados, que são pessoas que trabalham a tempo parcial, não por opção, mas porque não arranjam emprego para trabalhar mais horas, uma "forma de inserção laboral mitigada, precária em muitos casos e indutora de situações de pobreza e destituição material";

- os "indisponíveis para trabalhar", uma categoria mais reduzida, que se aplica a pessoas que, apesar de procurarem emprego, não podem trabalhar por terem alguém a cargo ou estarem doentes;

- e os trabalhadores que foram chamados para planos ocupacionais do Instituto de Emprego e Formação Profissional, que desde 2011 (com o governo de Passos Coelho) deixaram de contar para as estatísticas de desemprego e passaram a ser incluídos na população empregada.

Segundo explica Renato do Carmo ao Público, a este problema do desemprego oculto, junta-se ainda o problema do "emprego de má qualidade" criado, muito mais precário e com níveis muito baixos de proteção social.

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