Imagens nos maços podem levar a subida de "comércio ilícito"

Decisão europeia é uma medida "extrema", "arbitrária" e "sem ganhos evidentes" para a saúde, defende a Tabaqueira

As marcas de tabaco passaram a ser obrigadas, desde sexta-feira, a incluir imagens chocantes, frases de alerta e o número da linha de saúde 24 nos maços de cigarros. Haverá ainda um período de um ano para escoar as embalagens em stock, mas a Tabaqueira teme já um aumento do comércio ilícito e consequente quebra das receitas fiscais.

"Em termos do possível impacto no consumo que medidas deste tipo possam provocar, o que nos preocupa é que algumas de natureza extrema, arbitrárias e sem ganhos evidentes em termos de saúde pública se possam traduzir, entre outros, num acréscimo do comércio ilícito, por contrapartida de uma quebra do mercado legal e das receitas fiscais", disse, em declarações ao DN/Dinheiro Vivo, Pedro Nunes dos Santos, presidente da Tabaqueira.

O responsável, que assumiu a liderança da empresa em março deste ano, acredita mesmo que estas decisões afetam a competitividade. "Vemos medidas como a imposição de embalagens genéricas ou de avisos de saúde de dimensões excessivas, as proibições de exposição dos produtos de tabaco nos pontos de venda ou a utilização de ingredientes, mais como medidas de índole anticompetitiva", refere. Seja como for, garante, é "totalmente a favor de legislação abrangente aplicável a todos os produtos e fabricantes de tabaco, baseada em evidências e no princípio da redução da nocividade".

Primeiro trimestre "atípico"

O primeiro trimestre foi "atípico" para a Tabaqueira, pelo menos no que toca ao mercado nacional. O facto de o Orçamento do Estado para 2016 só ter entrado em vigor no último dia de março levou a que "não tivesse praticamente ocorrido nesse período qualquer aumento do preço de venda ao público dos diversos produtos de tabaco". Ao mesmo tempo, as exportações aumentaram "mais de dois dígitos" face ao primeiro trimestre do ano passado, "em termos de cigarros e produtos de tabaco e semiacabados aí fabricados", frisou o responsável.

Feito o balanço, Pedro Nunes dos Santos considera que o primeiro trimestre do ano foi "globalmente muito positivo para a Tabaqueira". Para este ano, os objetivos passam por continuar a "aumentar o volume de negócios, o desempenho das marcas em todos os segmentos de preço, os níveis de emprego direto e indireto e os investimentos na fábrica [de Albarraque], que já ascendem a 305 milhões de euros desde a privatização da Tabaqueira, em 1997". A estratégia passa, também, pela diversificação dos produtos. A Tabaqueira lançou, no final do ano passado, os HeatSticks, uma nova categoria de tabaco que funciona à base de aquecimento, com um dispositivo eletrónico. Portugal foi o quarto país onde este produto foi lançado e os resultados das vendas, ainda iniciais, são "encorajadores". A diversificação da oferta, diz Pedro Nunes dos Santos, "é não apenas para prosseguir, com um cada vez maior enfoque nos HeatSticks mas também para aumentar no futuro".

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