Grupo quer saber como se faz um bom hospital

Médicos e doentes querem garantir a mesma qualidade de tratamento independente do hospital onde são seguidos.

Todos os doentes devem receber a mesma qualidade de tratamento independentemente do hospital onde são seguidos. Esta é uma das principais conclusões da quarta edição do Think Tank, promovido pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa (ENSP/UNL), que reuniu um conjunto de médicos, gestores, administrações e associações de doentes. Sob o tema "Cancro 2020: Podemos fazer ainda melhor", o grupo definiu a uma agenda comum para tratar o cancro em Portugal. Entre as principais medidas estão a definição de indicadores que permitam ter uma noção clara da realidade nacional, mas também comparar os hospitais de igual forma.

"O tratamento do doente oncológico implica sempre uma abordagem de diferentes situações, desde o financiamento à organização e a organização foi um tema muito discutido. Uma das principais conclusões do trabalho é de que forma garantir que a qualidade do tratamento é sempre a mesma, independentemente da organização e do modelo organizacional. Para concretizar esta medida é preciso identificar indicadores que realcem a qualidade do tratamento, que sejam transparentes, públicos, que permitam depois a associação ao modelo de financiamento e que sirvam para motivar os profissionais e para os doentes, com a liberdade de escolha, terem acesso à melhor qualidade"", diz ao DN Rute Simões Ribeiro, investigadora principal do estudo da ENSP/UNL.

Os resultados do estudo são debatidos hoje, mas já foram enviados ao Ministério da Saúde. Incluindo a lista de indicadores que, quer peritos quer associações de doentes, consideram essenciais para que se possam comparar resultados dos vários hospitais e melhorar o que está menos bem: tempo de espera de doente referenciado para primeira consulta de oncologia quando à suspeita de doença, tempo entre primeira consulta e diagnóstico, qualidade de vida durante e após o tratamento, a existência de equipas multidisciplinares, articulação com associações de doentes, resultados dos tratamento, sobrevivência global e satisfação do doente. E serão também estes os indicadores que podem ajudar os doentes a saber se o que se passa atualmente e se há diferenças no tratamento consoante o hospital ou a zona do país onde se é tratado.

Entre as outras nove conclusões estão a necessidade dos hospitais e serviços estarem organizadas em função dos doentes, de estes terem a liberdade de escolher onde querem ser tratados, de o financiamento dos hospitais abranger os ganhos em saúde e de os doentes terem acesso à melhor informação e de forma clara por parte dos médicos. Este foi "um dos pontos mais valorizados pelas associações de doentes", refere Rute Ribeiro.

Destaque para mais duas conclusões: Portugal deve ter uma rede de cuidados de excelência em oncologia e é preciso garantir acesso rápido e ágil aos novos medicamentos. "Portugal tem aprovada uma rede de referenciação de oncologia e nessa altura o governo assumiu que o que existia não respondia às necessidades dos doentes e assumiu a criação dos centros de referência. As instituições não devem fazer todas o mesmo. As redes servem para gerir bem o fluxo de doentes. Desde que a qualidade do tratamento esteja assegurada e os indicadores sejam os mesmos, o doente poderá escolher onde quer ser tratado e tem a garantia de ser bem tratado. Quanto ao acesso à inovação terapêutica, é preciso continuar a trabalhar no sentido de todos os agentes se articularem para que a avaliação seja mais rápida, tal como o acesso. Há espaço para melhoria nesta área em Portugal", afirma a investigadora da ENSP.

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