Nenhum tema em particular - e vários em geral - marcou esta tarde o primeiro debate parlamentar quinzenal com o primeiro-ministro realizado após o congresso que reelegeu Assunção Cristas como líder do CDS-PP e no qual os centristas assumiram uma nova ambição eleitoral: a de se tornarem no maior partido do centro-direita..António Costa escolheu como tema "a prevenção estrutural e gestão integrada de incêndios" mas tanto os partidos à esquerda do PS como os à direita colocaram outros temas na mesa, sobretudo a questão do Montepio (PSD e CDS) e a reforma das leis laborais (BE e PCP)..Na questão dos incêndios, Costa voltou mais uma vez a dramatizar a necessidade de limpeza das matas, desafiando todos os partidos a juntarem-se a ele e ao Presidente da República numa ação simbólica de limpeza das florestas, no fim de semana de 24 e 25 de março..O primeiro-ministro elencou várias medidas já em execução mas revelou dificuldades perante, especificamente, as perguntas que lhe foram feitas por Assunção Cristas, quanto à execução de projetos-piloto de revitalização do interior e sobre quando estarão disponíveis os meios aéreos necessários para a próxima época dos fogos (serão 55 este ano, mais sete do que no ano passado, segundo garantiu)..Para a história do debate ficaram também, na questão dos incêndios, críticas duras do primeiro-ministro aos comentadores (primeiro) e depois à "informação" em geral: "Um dos maiores problemas do país [é] a péssima qualidade da nossa informação, que só desperta para os problemas no meio da tragédia.".Nas questões laborais, o Bloco perguntou, através de Catarina Martins, se o Governo vai mesmo legislar para acabar com os bancos de horas individuais - e o chefe do Governo prometeu que sim, porque esse é um compromisso do programa do Executivo..Costa anunciou também que no próximo dia 23 de março, o Governo apresentará um pacote de revisão das leis laborais..Jerónimo de Sousa, por outro lado, voltou a questionar Costa sobre legislação que revogue as penalizações aos pensionistas com carreiras contributivas longas que antecipam a reforma..Na questão do Montepio, interpelado primeiro por Fernando Negrão (PSD) e depois por Assunção Cristas, o chefe do Governo pôs na Autoridade Tributária a responsabilidade por uma decisão de benefícios fiscais ao banco (o que lhe permitiram passar de um saldo negativo para um saldo negativo)..A expressão que Negrão usou para qualificar este processo foi violenta: "Contas marteladas". Na resposta, Costa deixou uma insinuação de interesses especiais do líder parlamentar do PSD neste tema: "Um dia haveremos de descobrir a razão do seu profundo interesse relativo à questão do Montepio", afirmou - e assim provocando vozearia de protesto na bancada do PSD. Também remeteu para outra entidade externa ao Executivo - no caso o Banco de Portugal - o esclarecimento de dúvidas quanto ao banco..Um quarto tema no debate foi o das supostas fragilidades estruturais na Ponte 25 de Abril. Aqui o PCP aproveitou para anunciar a apresentação de um projeto-lei pelo qual pretende transferir para o Estado todos os contratos - como o da Ponte 25 de Abril - atualmente formatados em modo de PPP (Parceria Público-Privada). Na resposta, o chefe do Governo não se esqueceu de citar o presidente do LNEC: "A ponte esteve segura, está segura e estará segura."