Edgar Silva."Não estamos condenados de ter uma vida azeda, do mal menor"

Ao sétimo dia Edgar Silva foi buscar ao coração comunista do Alentejo uma lição para o país: "o povo que não se resigna"

De "coração partido" confessou o candidato comunista ter ficado, ao ouvir as "Ceifeiras de Pias" cantar a moda sobre o abandono das terras alentejanas. "Naquele monte havia tanta riqueza/hoje ninguém cultiva terra/nada é como era/cada vez há mais pobreza", entoavam afinadamente. Edgar Silva teve a deixa para lançar o tema dia: o despovoamento do interior. "Quando há pouco se cantava sobre os montes abandonados que deixaram de produzir, faz doer o coração esta realidade que marca hoje o Alentejo de forma tão profunda", afirmou no comício em Serpa. O candidato lembrou as "políticas dos últimos anos, que teimou em tratar estas regiões como de segunda ou terceira categoria, fechando serviços públicos, escolas, centros de saúde e, pasme-se, até juntas de freguesia, o único ponto de contacto que ainda restava à população". Para Edgar Silva "é preciso virar a página, dizer basta!", porque "não estamos condenados a ter uma vida azeda, ao mal menor. Isto não tem que ser uma fatalidade." No seu entender o Presidente da República tem "um papel fundamental, não pode ser indiferente a esta realidade, não se pode demitir do que diz a constituição: é o representante do povo da República".

Antes, em Arraiolos, perante mais de 500 apoiantes, o candidato presidencial quis destacar a atitude de "luta" das gentes alentejanas. "O Alentejo é uma lição para todo o pais. Uma região que não se resigna, não aceita vergar a espinha. Em condições mais adversas luta pelos valores em que acredita. A forma fatalista de estar na vida, não acontece aqui no Alentejo".

Em Arraiolos, Edgar Silva foi puxado para o palco para cantar Zeca Afonso, "Traz outro amigo também", musica que assentou como uma luva no desafio que fez aos apoiantes no final da intervenção, insistindo no "erro fatal" que será não ir votar diz 24 e "deixar que a direita vote de novo ao poder". "Vão junto daqueles que nunca votaram nas nossas áreas políticas, mas que têm o coração aberto a valores de justiça, da democracia e defendem que já basta de exploração e pobreza, que isto tem de dar uma volta. Digam-lhes: não tenham medo de votar quem, como ninguém, sempre lutou por tudo isso", apelou

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