"Desisto". Sérgio Figueiredo anuncia que recusa o cargo proposto por Medina

Em artigo de opinião publicado no Jornal de Negócios, antigo jornalista afirma que "ficou insuportável tanta agressividade, tantos insultos" que o caso trouxe.

O antigo jornalista e diretor da TVI Sérgio Figueiredo anunciou esta quarta-feira que recusa o lugar que o ministro das Finanças. Fernando Medina, lhe oferecera. Em artigo de opinião publicado no Jornal de Negócios, o também antigo administrador da EDP afirma que toda a polémica em volta do caso fazem-no desistir de ser "consultor estratégico". Mas não disfarça a desilusão.

"Não há outra forma de o dizer: desisto", começa Figueiredo por escrever.

"Ficou insuportável tanta agressividade e tamanha afronta, tantos insultos e insinuações. Não tolero estes moralistas sem vergonha, analistas sem memória. Vergo-me aos assassínios de caráter, atingido pela manada em fúria, ferido por um linchamento público e impiedoso. É lixado desistir", escreve Sérgio Figueiredo.

Esta contratação, que aparentemente já não irá realizar-se, esteve envolvida em polémica desde que foi conhecida, primeiro noticiada pelo jornal Público. Desde logo porque se tratava de um contrato por ajuste direto, remunerado ao nível de um ministro para um lugar sem paralelo na carreira da administração pública.

Depois, pela relação pessoal conhecida entre Medina e Figueiredo. Este, enquanto diretor da TVI contratou o atual ministro quando ele era presidente da Câmara de Lisboa como comentador político e assim o manteve mesmo durante a campanha eleitoral autárquica.

Por fim, a já referida questão remuneratória. Conhecido o contrato, ficou a saber-se que Figueiredo iria receber, em regime de prestação de serviços, mais de 5800 euros por mês (ilíquidos) durante dois anos (140 mil euros no total), o que na prática era equivalente a um vencimento base até superior ao do ministro.

Toda a polémica que o caso gerou teve, da parte do primeiro-ministro, António Costa, apenas a reação de afirmar, num primeiro momento: "Compete-me gerir o meu gabinete, não giro os gabinetes dos outros membros do governo".

Para um pouco mais tarde dizer, questionado por que razão o contrato não tinha sido assinado no dia previsto: "Se houver dúvidas, as entidades competentes tratarão delas". Com esta recusa de Figueiredo talvez tal já não venha a ser necessário.

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