O modelo da "escravatura" e o modelo da "pobreza". Há um mar a separar PSD e PCP

Rui Rio enfrentou João Oliveira e acusou o PCP de defender as mesmas propostas desde 1975. O líder parlamentar comunista assegurou que o PSD não é alternativa ao PS.

O líder do PSD trazia a frase ensaiada - "há todo um mar que nos separa"-, mas encaixou perfeitamente no debate que o opôs na SIC ao líder parlamentar do PCP, João Oliveira, que substituiu Jerónimo de Sousa.

Rui Rio procurou demonstrar que os comunistas "defendem as mesmas ideias desde 1975" e que o modelo económico que querem para o país, sobretudo as nacionalizações, conduziriam "à ruína económica" e ao "empobrecimento" do país.

João Oliveira, que também é cabeça de lista da CDU em Évora, bateu-se pela ideia de que o PSD não é alternativa ao PS e que "tem propostas que não são para levar a sério. Se estava "nervoso", como disse quando chegou aos estúdios da SIC, a verdade é que o líder parlamentar comunista respondeu taco-a-taco ao presidente social-democrata, nesse "mar" que os separou politicamente.

Passada a cortesia dos desejos de que corra tudo bem com a operação do secretário-geral comunistas e de João Oliveira rejeitar que esteja em marcha mudança de liderança no seu partido, os 25 minutos que se seguiram foi de confronto total, embora polido, sobre o modelo económico defendido pelos dois partidos.

Rui Rio começou logo por se demarcar do PCP. Disse que o seu partido é defensor de mais iniciativa privada, menos impostos, menos elefantes brancos, de espírito reformista e menos facilitismo. "Na Assembleia da República o PCP senta-se à esquerda do Bloco de Esquerda. Não percebo isso. Lendo o programa, efetivamente é a mesma coisa que ir ler o que o PCP defendia em 1975", atirou o líder social-democrata.

João Oliveira ripostou com a ideia de que, tal como o PS, o PSD não deixou que os problemas fossem resolvidos". Defendeu a necessidade de aumentar os salários, incluindo os médios, o que considerou "grande emergência nacional e solução para os problemas do país".

Quase no final do debate aproveitou o facto de Rui Rio ter dito que não concordava com as proposta do PCP para o Orçamento do Estado de 2022 e que também as teria rejeitado como fez o PS, para reiterar que o PSD não é alternativa ao PS.

O presidente do PSD assumiu que "o problema dos salários é um problema fundamental". Mas, disse, "queremos melhores empregos e melhores salários. Queremos dirigir a política a quem cria empregos - as empresas. É a produção que nos vai permitir uma maior procura e um maior consumo", defendeu. E imediatamente se centrou no programa eleitoral comunista para demolir as suas propostas. "O PCP quer sair do Euro. Sair da União Europeia. Dissolver a Nato. Nacionalização dos setores estratégicos. Restringir o capital estrangeiro... Como é que vamos fazer? como é que vamos pôr as nossas finanças em ordem? Só nas nacionalizações é muito para cima dos 50 mil milhões. O projeto do PCP levaria à ruína económica."

Rio ainda usou uma célebre frase de Salazar: "Sem querer ofender", disse Rio, "o PCP defende o orgulhosamente só". E rematou a lembrar que o PSD aposta nas exportações contra o modelo "estatizante" defendido pelos comunistas.

João Oliveira insistiu na ideia de "é preciso pôr o país a produzir para criar emprego e riqueza" e que não há medidas dirigidas às empresas "que resolvam este problema", numa alusão à intenção do PSD em priorizar a descida do IRC. Rejeitou ainda esse "modelo de escravatura" económica e lembrou as propostas do seu partido para as pensões, creches e habitação.

Rio e Oliveira apenas convergiram na ideia de que o PS é o responsável pela crise política, embora por razões diversas. Questionado sobre o voto contra o OE2022, João Oliveira disse que "Já ninguém tem dúvidas de que PS estava convencido de que teria maioria absoluta." E questionou: "Como é que se explica que um Governo não se tivesse comprometido com uma única medida de reforço do SNS, no meio de uma pandemia?"

O líder do PSD seguiu o embalo para atacar António Costa. "Subscrevo aquilo que o PCP diz. Quando o PS se meteu nas mãos do PCP sabiam perfeitamente qual é a lógica de funcionamento do PCP, um partido coerente. Já sabiam o que iam pedir".

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