Trump, parte 2?

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A derrota de Donald Trump nas urnas em 2020, trouxe a esperança de que os quatro anos do seu mandato como presidente tivessem sido apenas um interregno na História Contemporânea dos EUA e do mundo. Infelizmente, não parece ter sido o caso.

As primárias do Partido Republicano ainda agora começaram, mas as suas vitórias expressivas no Iowa e New Hampshire consolidaram o estatuto de favorito. Entre Trump e a eleição presidencial resta apenas Nikki Haley. Daqui a um mês a antiga governadora da Carolina do Sul e os republicanos moderados deverão ser derrotados por Trump e o movimento MAGA neste mesmo estado, pondo fim ao desafio de Haley (quanto eu gostaria de estar enganado...).

Perante o domínio total de Trump sobre as mentes da base republicana, estes resultados não surpreendem ninguém. Menos expectável, no entanto, é a sua vantagem em muitas sondagens sobre uma eventual reedição do confronto direto com Joe Biden.

Claro que o atual presidente tem falhas. O eleitorado considera que está envelhecido. Mas nada se compara a Trump, também envelhecido e cheio de gaffes embaraçantes, envolvido em vários escândalos judiciais, patrocinador de teorias da conspiração, mentor do ataque ao Capitólio e da tentativa de reverter resultados de eleições democráticas.

Não tenhamos dúvidas: Trump é perigoso, uma ameaça à democracia e liberdade nos EUA e no mundo. Ainda assim, nem isso parece ser suficiente para sensibilizar um eleitorado crescentemente polarizado e frustrado.

O Partido Democrata tem de enfrentar este desafio com humildade. Reconhecer que há muitos cidadãos “esquecidos” pela economia global, muitos territórios na América deixados para trás e que estão disponíveis para ouvir a retórica do perigo dos imigrantes. A única resposta eficaz passa por construir um projeto capaz de trazer esperança às classes médias e trabalhadores, reconhecer a sua dignidade e oferecer mais do que a mera rejeição da extrema-direita.

Em várias ocasiões tenho afirmado que 2024 será um ano existencial para o projeto europeu, pois a Europa pode ser confrontada com a necessidade de responder a Putin sem o apoio dos EUA - Trump já disse que não virá em auxílio dos restantes países da NATO, mesmo se eles forem atacados.

Mas este será um momento existencial num plano mais global para as democracias no mundo. Há várias eleições que podem empurrar grandes partes do mundo para projetos nacionalistas, desde logo na Índia ou na própria Europa.

As campanhas de ódio que a extrema-direita desenvolve em todo o mundo têm exatamente como objetivo que líderes populistas e nacionalistas sejam sucessivamente eleitos, erodindo o multilateralismo. A paz no mundo será a principal vítima do regresso aos Estados-Nação em confrontação permanente. Sabemo-lo da História.

Ao imperialismo saudosista de Putin e aos nacionalistas como Trump, temos de responder, pelo menos nós, europeus, fazendo-nos respeitar (e isso implica sermos mais autónomos e não deixar cair a Ucrânia) e respeitando de um modo totalmente diferente o resto do mundo (e isso implica combater as desigualdades da globalização e partilhar poder com o Sul Global).

17 valores: Nuno Borges

Foi a melhor prestação de sempre de um português no Open da Austrália. Nuno Borges chegou aos quartos-de-final, defrontou o N.º 3 do Mundo e ainda lhe conseguiu ganhar um set! Está de parabéns pelo grande resultado para o ténis nacional.




Eurodeputado

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