O compromisso da Repsol com a sustentabilidade tem sido o apanágio nos últimos anos. Logramos ser a primeira empresa do setor a apoiar o Protocolo de Kyoto, a primeira a emitir obrigações verdes e, em 2019, reforçámos a nossa ambição ambiental colocando o desígnio de zero emissões líquidas de CO2 em 2050. Mais uma vez, demonstramos o nosso denodo e caráter percursor na transição energética, na sustentabilidade do planeta e das gerações vindouras..O tempo urge e, por isso, tão importante e desafiante como atingir a meta traçada, é diminuir, gradualmente, a intensidade de carbono. Em 2020, diminuímos em 5% o nosso indicador de intensidade carbónica em relação a 2016, claramente acima do objetivo de 3% previamente estabelecido para este parâmetro..Sabemos que a energia, independentemente da origem, é a força motriz para o desenvolvimento económico e para os grandes avanços socioculturais. Com este imperativo categórico em mente, desenvolvemos, ao longo da nossa história, produtos e serviços, com um espectro abrangente, capazes de satisfazer as diferentes necessidades energéticas..No ano passado, num período fortemente condicionado pela situação sanitária e económica, estabelecemos um plano de resiliência para todos os nossos negócios, ao mesmo tempo que reforçámos os nossos objetivos com a transição energética com a apresentação de importantes projetos de descarbonização, como o anúncio da construção uma das maiores instalações do mundo para a produção de combustíveis sintéticos com emissões líquidas zero de hidrogénio renovável e uma instalação para a produção de gás a partir de resíduos urbanos..O Plano Estratégico 2021-2025 da Repsol, apresentado no final do ano passado, estabelece novos e mais ambiciosos objetivos de redução de emissões, com uma diminuição da intensidade de carbono de 12% para 2025, de 25% para 2030 e de 50% para 2040, face a 10%, 20% e 40%, respetivamente, fixados antecipadamente. Esta nossa visão corporativa e de estratégia energética reflete não apenas a preocupação ambiental, mas espelha, também, os investimentos realizados nos últimos anos nas mais diversas fases produtivas. Desde 2014, já eliminámos 2,4 milhões de toneladas de CO2..O cliente está e sempre estará no centro do nosso propósito, e por isso criámos uma nova unidade de negócio denominada Cliente, que se vai encarregar de satisfazer qualquer necessidade energética e de mobilidade num universo que já supera os 24 milhões. O recente acordo que celebrámos com a Salesforce dará robustez à nossa estratégia de costumer centric e corrobora a nossa efetiva transformação digital. Representa uma visão holística capaz de integrar e agregar todas as partes, por forma a adotar novos processos e metodologias que permitam experimentar novas abordagens, interagir e adaptar à realidade atual, mais exigente, ágil e eficaz..Hoje, com todos os progressos tecnológicos e científicos, recrudescemos as fontes de energia, por forma a fornecer, em cada momento, a energia e os produtos de que a sociedade e o planeta necessitam. Como parte do nosso compromisso com a transição energética, dos 18 300 milhões de euros de investimento inscritos no novo plano, 5500 milhões de euros serão alocados a iniciativas baixas em carbono..Os biocombustíveis e os combustíveis sintéticos, por exemplo, são uma opção para reduzir a pegada de carbono. Indagamos, há vários anos, novas fontes de energia, sendo que, reflexo desse investimento, temos, atualmente, a maior capacidade de coprodução de HVO (produção de biocombustíveis de alta qualidade a partir de óleos vegetais) da Europa e tornar-nos-emos uma empresa de referência em biocombustíveis sustentáveis, com uma capacidade de produção de 1,3 milhões de toneladas em 2025 e mais de dois milhões em 2030..Sabemos que a diversificação das fontes e a transição gradual e sustentada serão a prerrogativa da inclusão, progressão e recuperação. Daí que será incauto descurar alguma forma de descarbonização, pois todas elas são complementares e válidas. Não é verosímil para setores nevrálgicos - como a aviação, onde voltámos a produzir recentemente, em janeiro, novo lote de 10 000 toneladas de biojet - onde a eletrificação ainda não é uma opção e não contribui para a política de confiança no setor. O nosso anúncio da construção da primeira fábrica de biocombustíveis avançados de Espanha na refinaria de Cartagena corrobora esta premissa. A nova instalação, na qual serão investidos 188 milhões de euros, fornecerá 250 mil toneladas por ano de biocombustíveis avançados para aviões, camiões e automóveis, o que permitirá uma redução de 900 mil toneladas de CO2 por ano..A captura e uso de CO2, por seu turno, será também fundamental neste processo de transformação, pelo que contamos com um projeto pioneiro na Petronor, única refinaria da Península Ibérica e uma das poucas da Europa que integrou este tipo de processos..Neste nosso itinerário da transição energética não descuramos, de todo, o hidrogénio renovável, aliás acreditamos que é um vetor importante para a descarbonização da indústria, com aplicações que vão desde o seu uso como matéria-prima para produzir combustíveis sintéticos até ao armazenamento de energia renovável. Queremos, também aqui, desenvolver um trajeto prógono e sermos líderes ibéricos neste tipo de fonte de energia, alcançando, em 2025, uma produção equivalente de 400 MW, com a ambição de superar 1,2 GW em 2030, e por isso lideramos um consórcio internacional de 15 entidades para tecnologia de ponta de hidrogénio verde..O negócio de geração com baixas emissões, um dos quatro pilares do novo modelo organizacional, continuará a aumentar a sua carteira de ativos e a sua já iniciada expansão internacional, com o objetivo de ser um operador global, com uma capacidade de geração que alcançará os 7,5 gigawatts (GW) em 2025 e os 15 GW em 2030. Continuaremos com o crescimento orgânico deste negócio graças ao desenvolvimento de uma carteira de projetos em operação que, entre 2020 e 2025, será elevada a um ritmo superior a 500 MW anuais..As sinergias intra e intersetoriais serão importantes para a contenda da transição energética. A criação de uma joint venture com o Grupo Ibereólica Renovables dá-nos acesso a uma carteira de projetos no Chile em operação, construção e desenvolvimento de mais de 1600 MW até 2025 e a possibilidade de ultrapassar os 2600 MW até 2030..Esta nossa abordagem versátil permite-nos estar impenitentes em relação às metas traçadas e continuar o nosso futuro multienergético, onde seremos, certamente, parte da solução, com o cliente no centro de todo o nosso dinamismo..Administrador-delegado da Repsol Portuguesa