Terror atómico

O urânio é um elemento químico, metálico, radioativo, que se encontra na natureza, nomeadamente em Portugal.

A principal característica que possui, em emitir radiação, foi descoberta, em 1896, pelo físico francês Antoine-Henri Becquerel (1852-1905). Foi ele quem demonstrou que tanto em estado de metal, como em qualquer combinação (compostos), o urânio irradia, espontaneamente, radiações invisíveis que, na altura, descobriu por impressionarem as chapas fotográficas.

As investigações sobre a aplicação das propriedades, singulares, do urânio prosseguiram na primeira metade do século XX. Rapidamente, os cientistas concluíram que poderia ser utilizado quer na produção de energia elétrica em centrais nucleares construídas para o efeito (com a vantagem de não produzir carbono), quer em armamento, com poder de destruição maciça.

Por isso mesmo, agora, é preciso falar de bombas atómicas e em acidentes ocorridos nas centrais de energia nuclear. É preciso que os cidadãos conheçam mais sobre os seus efeitos. Que imaginem o nível de devastação e de imensa destruição que provocam.

Só assim poderá crescer o clamor a favor da sua eliminação como arma.

Só assim poderá crescer o clamor a favor da Paz.

Precise-se.

Passaram 77 anos desde os lançamentos de duas bombas atómicas lançadas pelos Estados Unidos da América sobre o Japão, em Hiroxima, a 6 de agosto, e três dias depois, em Nagasaki, em 1945. A primeira foi uma bomba de urânio e a segunda de plutónio. Em Hiroxima morreram, instantaneamente, mais de 70 000 pessoas e em Nagasaki um número superior a 40 000.

Foi há 77 anos, sublinhe-se. Ao longo de tantos anos, desde o final da II Guerra Mundial, não será difícil de imaginar o grau de "aperfeiçoamento" das novas armas nucleares. Por isso, é de admitir que um eventual próximo bombardeamento seria ainda muito mais dramático. Ninguém duvida que os efeitos provocados, hoje, pelo lançamento de uma bomba atómica seriam arrasadores para seres humanos, fauna, flora e ambiente. Uma imensa devastação.

Um cenário de guerra atómica, a acontecer, deixaria a região bombardeada sem qualquer resposta. Um terror. Nada haveria a fazer para reduzir as consequências e para prevenir os efeitos na saúde de sobreviventes. Nem caves de betão como antigamente se construíam na Suíça para servirem de refúgios atómicos, por inutilidade absoluta. Nem comprimidos de iodo que apenas têm indicação para o caso de desastres nucleares ocorridos em centrais de produção de energia, num raio de 30 quilómetros do local do acidente (como sucedeu em Chernobyl e Fukushima).

Em síntese: nada capaz de prevenir os efeitos depois da explosão do cogumelo. Nada como limitar, nem encurtar, os danos a seguir. Ou se morre imediatamente, ou nas semanas seguintes, devido a queimaduras e ao envenenamento radioativo.

Moral da história:
O único reator nuclear em Portugal, localizado em Sacavém, foi desativado em 2016 e o respetivo combustível nuclear foi enviado para os Estados Unidos da América, em 2019. Por isto mesmo, uma vez que não existe qualquer instalação nuclear, a utilização de comprimidos de iodo não faz qualquer sentido.

Falar sobre a Guerra e lutar pela Paz são as mais importantes medidas de prevenção para evitar a atual escalada a caminho de conflitos nucleares.

Estarão as sanções à Rússia apontadas neste sentido?

Ex-diretor-geral da Saúde
franciscogeorge@icloud.com

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