Na análise dos resultados destas eleições presidenciais, queria antes de mais realçar os resultados da abstenção. Num contexto muito difícil, de intempérie, os portugueses demonstraram que valorizam a Democracia e o voto. E que a proposta populista de adiar as eleições, além de não ter enquadramento jurídico-constitucional, não se justificava politicamente. Adiar eleições deve ser sempre excecional porque é um precedente perigoso. Os portugueses deram uma lição de Democracia que só nos pode deixar orgulhosos como Povo.A confirmar-se a projeção, António José Seguro venceu esta segunda volta das eleições presidenciais com quase o dobro do resultado do seu opositor. Isto significa que os portugueses compreenderam a enorme importância destas eleições para a Democracia e para a liberdade. Como referi ao longo destas semanas de campanha, o que estava em causa nesta segunda volta não era um posicionamento esquerda / direita, mas sim a diferença entre a Democracia e o autoritarismo; entre o respeito pelos direitos fundamentais e a sua opressão; entre o progressismo e conservadorismo; entre o Estado social e o ultraliberalismo.Em suma, os portugueses foram claríssimos na escolha de um Presidente da República que vai respeitar e fazer respeitar a Constituição e que vai ser o garante dos direitos fundamentais dos cidadãos e do regular funcionamento das instituições democráticas.Por outro lado, esta é a vitória do candidato que apelou à conciliação e à tolerância, rejeitando o populismo.Numa época em que cresce, no contexto internacional, o autoritarismo, a demagogia, a repressão e a intolerância, ter um PR que representa e defende os valores da Democracia e da decência coloca Portugal definitivamente “do lado certo da História”, o que, pessoalmente como portuguesa, me deixa muito orgulhosa do nosso país e dos meus concidadãos.Este é o grande significado que se retira da vitória de António José Seguro e, tenho a certeza, do seu mandato.