Somos o que lemos?

Pode ser uma casa o espelho da nossa personalidade? O que temos entre quatro paredes, a decoração mais minimalista ou desorganizada, a varanda ou a marquise ou ainda os livros, sempre eles, podem dizer mais sobre nós do que uma sessão num sofá de um psicanalista? Acredito que sim.

Quando visito a casa de alguém, seja de familiares ou amigos, não consigo evitar e faço sempre uma espécie de análise ao espaço. E ganho sempre informação adicional sobre a(s) pessoa(s) que lá vive(m). Boa e má. Mas, com os tempos difíceis da pandemia do covid-19, e com a grande maioria confinada às quatro paredes, sozinhos, acompanhados, a cuidar dos filhos e/ou em teletrabalho, passamos a socializar através das câmaras dos computadores e smartphones. E é nesses quadrados, com maior ou menor qualidade de imagem, que agora vamos descobrindo as casas dos outros.

E o que temos visto - para além de muitas testas e sobrancelhas? Livros e mais livros. Quer nas televisões quer nas reu­niões de trabalho há agora uma enorme preocupação naquilo que está atrás de nós. E parece que todos têm estantes repletas de livros. E como um dia disse o arquiteto Mies Van der Rohe, "Deus está nos detalhes", é ali, nas inúmeras edições por detrás das pessoas, que as vemos. Há livros ao acaso, desorganizados, mas também os que estão alinhados por temas, por espessura e até por cores. Será que sempre lá estiveram? E dispostos daquela maneira? Estão eles a dizer-nos mais coisas sobre a pessoa? É um exercício curioso de fazer.

Fartos da monotonia dos livros, os criativos de publicidade de uma marca sueca de móveis e decoração lançou uma campanha em que podemos descarregar fundos para serem utilizados quando fazemos as calls, talks ou chats desta nova vida. Decorações irrepreensíveis que mostram não tanto o que somos mas aquilo que desejamos ser. E com menos livros. Será este um disfarce de felicidade em dias de pandemia?

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