Vivam os tailandeses!

Restelo, bairro de Lisboa, Rua de Alcolena, pequena e de vivendas, às 13 horas, à hora a que escrevo. Porque não está lá uma multidão? Ou um descendente do Senhor do Adeus, o homem que distribuía saudações aos lisboetas, de madrugada, só porque gostava deles? A Tailândia merece este gesto nosso: viva! Viva um país que cuida dos seus, salva os seus. Viva a Tailândia, vivam os tailandeses que não perderam a esperança por 12 miúdos e o seu treinador.

Viva um país que aceitou o apoio de quem o sabia dar. Que soube acolher estrangeiros que podiam dar conselhos e saberes, sem se melindrar com nacionalismos espúrios. Viva a Tailândia que tem autoridades que falam com autoridade, não escondendo, porém, a comoção. Vivam os tailandeses que sempre souberam mostrar a gentileza aos turistas e ensinou-nos agora que não é mero interesse, é respeito pelos outros, como só pode ter quem cuida dos seus.

Porque não nos juntamos por um agradecimento? Porque não reconhecemos a necessidade de dizer bem quando o bem que outros nos fazem é água fresca que nos salva? Ao menos passem pela Rua de Alcolena e deem duas buzinadelas de alegria.

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.