Onde vale a pena mexer

Há neste país uns tiques que de tão perversos os efeitos que têm se tornam incompreensíveis para mim. O pior de todos é a mania de, sempre que o governo muda, se arrepiar caminho e se alterar tudo o que foi feito por quem antes ocupou as cadeiras de decisão, sobretudo na Educação. Todos sabem alguma coisa, todos querem deixar uma marca - e no fim de contas nenhum deixa coisa alguma porque nunca se dá tempo às reformas para funcionarem. É um problema antigo da Educação, piorado pelo facto de muitos dos que a decidem terem pouco a acrescentar e muito que estragar.

E depois há os bons exemplos. No Ensino Superior, o atual governo tem feito, devagar e ponderadamente, um caminho que há muito se precisava que alguém tivesse a coragem de assumir. O ministro Manuel Heitor empreendeu uma reforma das instituições, das estruturas, dos créditos, da formação em todas as suas dimensões que pode verdadeiramente fazer a diferença para melhor - assim se deixe que as ideias e ações tenham tempo de maturar e chegar a resultados. E uma das mais importantes alterações é o reforço da ligação das instituições (universidades, institutos, politécnicos e afins) às empresas. Se a Educação é o futuro de um país, só existindo esse fio condutor que aproxime sucessivamente a formação do mundo real é possível construir um futuro vibrante para a economia. E essa é uma relação com ganhos para todos. Numa versão simplista, privilegia-se a formação nas áreas em que há necessidades de mão-de-obra qualificada, garantindo experiências no mercado de trabalho mesmo durante a aprendizagem (estágios, programas de trainees, semestres profissionalizantes...) e construindo condições para uma economia mais pujante e moderna. Por outro lado, esses jovens cedo começam a ganhar experiência real e ficam com um pé dentro do mundo empresarial. E há ainda o lado de investigação e inovação que já é bem desenvolvido nas instituições e que pode trazer vantagem às companhias se desenvolvido ao seu lado ou pelo menos havendo conhecimento de que existem.

Há boas reformas a fazer. Assim se comece realmente a valorizar aquilo que tem qualidade - e que neste país há de sobra.

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