Se rebentar, não se surpreendam

A informação, dada pelo governo aos partidos, de que o crescimento económico vai desacelerar, não sendo uma novidade, deve fazer-nos redobrar a atenção para com o crescimento da despesa pública.

Repor rendimentos aos funcionários públicos e aos pensionistas numa fase de aceleração da economia pode não implicar um problema imediato nas contas públicas mas condiciona o futuro, na medida em que este tipo de despesa vale o que vale no momento em que é decidida mas permanece para acrescentar a outras decisões no mesmo sentido que vierem a ser tomadas. É justo e era imperativo que o valor dos salários da função pública fossem repostos, como foi justo que se abdicasse da receita conseguida com a sobretaxa do IRS, dando mais poder de compra a todos os portugueses. Mas há limite para este caminho, não basta querer, é preciso criar condições para o prosseguir.

Chegados aqui, convém começar a fazer contas. Estamos disponíveis para receber agora o que podemos ter de pagar em dobro se as contas voltarem a falhar? É visível a pressão das corporações do Estado para, depois de recuperarem o salário que já tiveram, recuperarem igualmente a expectativa que criaram em anos de Eldorado. Aumentos salariais acima da inflação e reposição da progressão nas carreiras significa dinheiro que as previsões macroeconómicas do governo nos dizem não ser possível gastar sem uma marcha-atrás na consolidação das contas públicas.

Se a despesa pública com salários e pensões subir mais do que o crescimento económico previsto, então convém acender a luz amarela. Os sarilhos podem demorar mais ou menos tempo a chegar, mas vão chegar. Esta equação é fácil de fazer e é válida para todas as economias, mais ainda para uma economia que saiu há pouco dos cuidados intensivos e está altamente dependente do que se passar noutras paragens. E não, não se trata de um debate entre esquerda e direita ou entre público e privado, é uma conversa sobre uma inevitabilidade: não se pode distribuir mais do que aquilo que existe.

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