O regresso do telefone vermelho

A comunicação social tem intensificado nos últimos dias a cobertura daquele que poderá vir a ser um dos conflitos europeus mais preocupantes do Séc. XXI. A tensão que se vive entre a fronteira ucraniana e russa está próxima de escaldante. O mundo ainda se recompõe de uma pandemia inacabada e já se pronuncia uma crise militar.

Talvez por parecer um acontecimento "longínquo", há uma apatia generalizada na forma como as pessoas tendem a encarar este conflito. Contudo, o que se passa para lá das fronteiras da União, mas bem no interior da Europa, afeta já a vida da grande maioria dos portugueses. E caso a diplomacia falhar poderá vir a afetar muito mais.

Durante as últimas semanas registaram-se horas infindáveis de conversações entre distintos líderes mundiais. Analisando o impacto da diplomacia, surge desde logo uma questão central: qual é o papel da Europa na resolução deste conflito?

Para o compreender, recue-se até finais de 2013 para contextualizar o início da crise que agora vigora. Nessa altura o então Presidente ucraniano recusou-se a assinar, em Vilnius, o pacto de aproximação com a UE. Essa ação desencadeou uma série de protestos pró-europeus pelo país. Como consequência desse braço de ferro a província da Crimeia acabou anexada pela Rússia, dando apoio aos separatistas pró-russos no leste do país.

Washington e Bruxelas apressaram-se a impor sanções económicas e de lá para cá o impasse mantém-se, estando a Europa novamente a braços com uma possível guerra.

São vários os líderes que já envidaram esforços na tentativa de apaziguar as partes e evitar o conflito. Todavia, infelizmente, sem sucesso. Fica a dúvida no ar se a determinação da ex-dama de ferro, Angela Merkel, perante Vladimir Putin seria solução, uma vez que era uma das poucas líderes respeitadas pelo presidente russo. Porém, esse é um papel que agora pertence a Olaf Scholz, que hoje se encontra em Kiev.

Os europeus têm assim vários motivos para estar preocupados. As tentativas de diplomacia por sua via estão a falhar e não só. Até a "super" China obteve o mesmo resultado, ou seja, nada.

Das múltiplas movimentações diplomáticas a mais emblemática foi a Americana. Porquê? Porque faz renascer o velho "telefone vermelho". Transmite a ideia de que continuam a existir dois grandes blocos, os mesmos que remontam aos tempos da Guerra Fria.

De voz grossa e a uma distância de segurança, os americanos comportam-se com a autoridade de quem tem o poderio militar e económico para fazer frente ao eterno rival do Leste Europeu. Os EUA entraram em ação à escala global, desdobrando-se em encontros diplomáticos com todos os seus aliados. O objetivo é um: exercer a sua influência numa tentativa de angariação de apoios para "o que der e vier".

Portanto, no rescaldo ainda bem vivo de uma pandemia universal, o mundo confronta-se agora com uma possível "guerra fria", que opõe de novo as "velhas" superpotências.

Até que uma das vias fique definida, onde se espera que a diplomática leve a melhor, relembre-se que a UE deve prosseguir urgentemente com o processo de integração, podendo desse modo influenciar diretamente ao nível político e social e não apenas económico.

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