Mayday!Mayday!Mayday!

Para quem não sabe, e até é bom sinal que assim seja, repetir "Mayday" 3 vezes é um código de emergência aérea, reconhecido mundialmente, e que só deve ser utilizado quando se está sob ameaça de um grave ou iminente perigo e se requer ajuda imediata.

Mal comparado (ou talvez não), é o que me apetece dizer quando olho para a atual situação do aeroporto de Lisboa e da velha novela sobre um novo aeroporto, que já conta com mais anos do que aqueles que eu tenho de vida.

Ultimamente parece que tudo corre mal no reino dos ares. Primeiro, foram os problemas do SEF, cujos plenários de trabalhadores provocaram longas filas de espera no aeroporto - e a situação pode voltar a qualquer momento, dependendo da forma como decorram as questões relacionadas com o processo de extinção/reestruturação deste serviço.

Depois, e nessa sequência, o Aeroporto Humberto Delgado era considerado o pior aeroporto do mundo, de acordo com o ranking anual da empresa alemã AirHelp, que afirma dedicar-se à defesa dos direitos dos passageiros aéreos. O aeroporto da capital portuguesa ficou na última posição da lista, em 132.º lugar. Vale o que vale, e com toda a certeza não chegámos a tanto, mas não deixa de ser revelador de problemas sérios, nomeadamente ao nível dos atrasos nas partidas e chegadas dos voos, assim como na qualidade do serviço que é prestado aos seus utilizadores.

Mais recentemente, e de novela em novela, surge a questão do polémico despacho, que prontamente foi "despachado" pelo Primeiro-Ministro, com declarações curiosas quando afirma que "está tudo reposto nos devidos carris", esperando que o caminho definido chegue "a bom porto". Devia ter utilizado expressões mais alusivas ao meio aéreo, do tipo "esperemos que não vá tudo pelos ares".

E agora, a cereja no topo do bolo, um novo caos em plena época alta. E o mais grave é que já se fala no prolongamento do problema durante todo o verão e, quiçá, se repita no Natal e na passagem de ano.

Desde o aumento da procura, ao défice de pessoal, passando pela falta de aviões, serão várias as razões que têm levado ao sucessivo cancelamento de voos e às perturbações no funcionamento dos aeroportos. É certo que esta situação não é exclusiva do nosso país, mas problemas transversais a acrescer aos nossos problemas estruturais resultam numa mistura explosiva. Para um aeroporto, como o de Lisboa, que funciona já com muitas limitações, qualquer perturbação, por menor que seja, tem enorme impacto, como aconteceu com um incidente de um jato privado que acabou por afetar vários voos.

Mais do que querer apontar o dedo seja a quem for, o que desejo verdadeiramente é que se tomem decisões. É uma vergonha nacional que se discuta a localização de um novo aeroporto desde 1969! Pior do que uma má decisão é não decidir.

O melhor destino do mundo não pode ter o pior aeroporto do mundo. E como sabemos é bem mais difícil permanecer como o melhor destino do mundo do que chegar ao estatuto de melhor destino do mundo. Não nos enganemos, a sabedoria está em agir.

Secretária-geral da AHRESP - Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal

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