Figura do Dia. A medalha que faltava a Rosa Mota

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Continua a correr todos os dias, a sorrir todos os dias, a preocupar-se todos os dias. Não há nenhum atleta em Portugal que tenha feito da sua vida uma apologia da comunidade, do vivermos uns com os outros, uns para os outros.

Rosa Mota nunca quis ser livre no sentido mais egoísta do termo, acreditou sempre que as suas medalhas precisavam de continuidade, que precisava de ser em permanência um exemplo ético e cívico.

Não há paralelo com qualquer dos grandes atletas portugueses, ninguém se lhe pode comparar - a nossa Campeã Olímpica, uma das maiores maratonistas da historia, deixou as competições a “sério”, mas continuou a ganhar provas atrás de provas no Circuito de Veteranos, a viajar para os cinco continentes, a ajudar quem precisa, a comprometer-se nos mais variados combates sociais, culturais e até políticos.

Fábio Poço / Global Imagens

A menina da Foz manteve-se menina. Pequenina, sorridente, esmagadora na simplicidade, mas corajosa e politicamente incorreta. Rosa Mota, mais o seu companheiro e mentor, o enorme José Pedrosa, acorda nas manhãs como se fosse eterna. E no próximo dia 19, de hoje a oito dias, será doutora pela Universidade do Porto. Doutora Honoris Causa.

Rosa, a segunda mais nova de seis irmãos de uma família proletária na zona mais burguesa do Porto, será aplaudida de pé pelos professores e sábios da cidade, do país e do mundo. Estarão reitores, cardeais, ministros, autarcas e até dois presidentes de duas Repúblicas. Despacho já o meu abraço, querida Rosa. Na próxima semana, não conseguirei chegar a ti.

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