Se soubéssemos do futuro, não cometeríamos os erros do presente

Pode alguém prever com rigor o que vai marcar o ano de 2018? É evidente que não. No início deste ano, sabíamos que o Benfica podia ser tetracampeão, que Marcelo Rebelo de Sousa dividiria com António Costa o protagonismo da política caseira, que Donald Trump dominaria a política internacional. Não sabíamos que apareceria um Salvador Sobral a encher de orgulho a alma lusitana. Sabíamos que o Papa Francisco faria uma visita a Fátima, mas era impossível imaginar as tragédias de Pedrógão e do 15 de outubro.

Muito do que tratámos na edição de aniversário de 2016 aconteceu em 2017, mas muito mais aconteceu neste ano do que alguém poderia prever.

O cliché de que é preciso aprender com o passado para não repetir os mesmos erros faz todo o sentido quando pensamos no que pode acontecer no próximo verão em matéria de incêndios. Ninguém imagina como possível que a tragédia se repita. Se tivéssemos podido, em dezembro do ano passado, dar um salto a junho deste ano teríamos feito tudo de maneira diferente. Como não se aprende com o que ainda não aconteceu e não é certo que tenhamos percebido o que se passou. Sabemos que falhámos na administração do território, que deixámos despovoar o interior do país, que não criámos um bom sistema de combate aos fogos. Quanto tempo mais vamos ter de esperar para dar como adquirido que as alterações climáticas, que replicam tempestades, tufões e furacões noutras zonas do planeta, já chegaram a Portugal em forma de seca extrema e calor excessivo?

Com a velocidade a que ocorrem sucessivas revoluções tecnológicas, ninguém ainda foi capaz de propor uma solução consensual para a evidente falta de empregos que o futuro nos vai trazer. De que vale regressar à discussão ideológica sobre as relações do trabalho com o capital se os capitalistas já podem substituir grande parte da mão-de-obra humana por robôs? É urgente pensar na forma como vamos organizar a sociedade, porque tudo o que os robôs puderem produzir terá de ser consumido, mesmo por aqueles que não tiverem a oportunidade de se realizar através do trabalho.

De tudo o que não tem importância, o mais importante é verdadeiramente o futebol. É aquilo que nos divide no apoio ao clube de cada um e aquilo que nos une no apoio à seleção nacional. Quem vai ganhar o campeonato nacional? E o campeonato do mundo? Fazemos estas perguntas, dizemos-lhe o que sabemos sobre as hipóteses de cada um, mas não fazemos apostas.

Em 2017, Salvador Sobral surpreendeu a Europa com uma bela canção e todos vibrámos com mais uma vitória de Portugal. Por causa dessa vitória, será a RTP a organizar o Festival da Eurovisão. Aqui podemos apostar, será uma vitória clara dos portugueses, especialistas em receber e em organizar grandes eventos.

É desta forma de estar que se constrói uma outra vitória de 2017 que, com toda a certeza, se vai repetir em 2018. Portugal melhor destino turístico do mundo, Lisboa melhor destino city break do mundo, Madeira melhor destino insular do mundo. O melhor destino é também o melhor ponto de partida e vamos continuar a assistir a uma nova geração que percorre o mundo à procura de uma oportunidade para mostrar o que vale.

Bom ano!

PS: Miguel Frasquilho foi convidado para ser diretor do DN por um dia. Esteve connosco a pensar nos grandes temas para esta edição, fez as suas apostas. Entretanto foi notícia no Expresso por causa de umas transferências para familiares seus através do chamado "saco azul do BES". O chairman da TAP deu as respostas que entendeu dar ao jornal e pediu uma auditoria à Autoridade Tributária para determinar se é ou não devedor ao fisco. Para que o essencial desta edição (o aniversário do DN e o outlook para 2018) não passasse a secundário entendemos mutuamente que a edição deste ano não deveria ter diretor convidado.

Exclusivos