Dia Mundial da Doença de Alzheimer

Neste dia 21 de setembro celebra-se o Dia Mundial da Doença de Alzheimer, iniciativa que a Alzheimer Disease International lançou, em 1994, com o objetivo de chamar a atenção para a dimensão individual, social e económica desta doença. Ao mesmo tempo pretende sublinhar a necessidade de adoção de políticas de Saúde que possibilitem, a todos os doentes, o acesso a programas de assistência e intervenção eficazes.

A Demência, maioritariamente Doença de Alzheimer (DA), afeta mais de 57 milhões de pessoas em todo mundo. A clínica desta afeção caracteriza-se por um particular compromisso da memória e de outras funções cerebrais, com limitação progressiva das suas capacidades e uma cada vez maior dependência. Foi descrita em 1906 por Alois Alzheimer e, nos anos que se seguiram, temos assistido a avanços significativos no conhecimento dos seus mecanismos moleculares, o que tem permitido desenvolver estratégias terapêuticas mais adequadas e eficientes. Infelizmente, e apesar desses progressos, não foi encontrada ainda uma cura para a doença e os fármacos ao nosso dispor apenas aliviam alguns dos sintomas.

A incidência e a prevalência da Demência aumentam quase exponencialmente com a idade, duplicando a cada cinco anos, após a sexta década de vida. Estima-se que, com o envelhecimento da população, o número de pessoas com Demência quase triplicará, atingindo 152,8 milhões em 2050, tendência que poderá ser revertida, em parte, pelo combate aos fatores de risco modificáveis da doença. Doze desses fatores já foram identificados e o seu conhecimento é crucial para a planificação das políticas de Saúde. Do mesmo modo, os custos diretos e indiretos da doença, que representam uma fatura importante nos orçamentos da Súde, têm vindo a subir de modo significativo, como é reconhecido por estimativas da Organização Mundial de Saúde, que apontam para a duplicação dos gastos globais com a doença até ao ano 2030.

São números impressionantes ,que o nosso país acompanha, como podemos constatar num estudo recente realizado a nível nacional e que refere mais de 7500 óbitos por DA em 2018. Esse mesmo estudo informa que o custo global estimado para a doença nesse ano foi de cerca de 2 mil milhões de euros, sendo mais de 50% atribuível ao cuidador informal. E o total estimado de custos médicos diretos atribuíveis à DA foi de cerca de 220 milhões de euros, dos quais 75% em tratamento ambulatório e 25% em internamento e medicamentos. Os custos diretos não-médicos (cuidador informal, apoios sociais, dispositivos, transportes, etc.) atingem cerca de 1,8 milhões de euros.

Atenta a esta realidade, a Alzheimer Portugal, associação fundada em 1988 e associada do Conselho Português para o Cérebro, tem desenvolvido um trabalho notável no apoio aos doentes e aos seus familiares, promovendo a sua qualidade de vida. Ao mesmo tempo, a associação procura informar, esclarecer e consciencializar a população sobre os diferentes aspetos da doença e combater o estigma que ainda lhe está associado. Também as sociedades científicas ligadas à investigação e tratamento da DA têm procurado sensibilizar o poder político para um maior e tão necessário investimento nesta área e contribuído, de forma assinalável, para o melhor conhecimento das suas causas e para os avanços das terapêuticas.

Move-as o sentimento comum de fazer sentir aos cerca de 150 000 portugueses que sofrem de DA e às suas famílias que não estão sozinhos na sua luta e que, para além desse gesto solidário, há todo um trabalho estruturado de combate à doença que tem vindo a ser desenvolvido, de modo a atenuar o seu sofrimento e melhorar o seu dia a dia.

Presidente do Conselho Português para o Cérebro (CPC)
www.cpcerebro.pt

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