Depor Putin. O mundo vai apoiar os russos

Putin é um espião profissional e a sua especialidade é coligir informação e atuar na oportunidade. O Ocidente definiu o padrão. A invasão do Iraque, a propósito das ficcionadas "armas de destruição maciça", foi o primeiro momento. A legitimidade da defesa própria em terreno alheio, a partir de imaginárias estratégias nucleares, consumou-se em março de 2003. E serve hoje de guião.

Putin é um fora-da-lei e não precisava desta legitimação. Durão Barroso e Portas, Aznar ou Blair, numa ingenuidade (?) oportunística, subjugaram-se à narrativa de Dick Cheney, Rumsfeld, Karl Rove e da marioneta George W. Bush. A invasão, selada nas Lajes, tornou-se oficial. Fomos a "Bielorrússia" dos falcões de Washington.

Quase 20 anos após, é infame vermos as ruas de Kiev invadidas pelos blindados russos, depois de termos dado a entender aos ucranianos que estavam protegidos pelas melhores democracias do mundo. Não podíamos, mas prometemos.

Em cima desta fraude política ocidental, no terror de tantas cidades como Odessa, Dniepro ou Mariupol, passeia igualmente um fantasma: Xi Jinping. Sem ele, Putin não teria ousado tanto. O omnipotente Partido Comunista Chinês prossegue a sua ofensiva económica e cibernética, tentando tomar o mundo sem tiros, mas pelo dinheiro e terrorismo digital. (Falta ver o que sucede em Taiwan). Sem a China não estaríamos neste desmando russo na Ucrânia, todos rebaixados a esta omissão crucial no nosso tempo, tentando manter a lucidez essencial e triste: a Ucrânia não vale uma guerra nuclear, por mais que não atacar doa ao Ocidente. E é nisto que Putin acredita. Na nossa lucidez.

Vladimir, o déspota, que prende os oponentes, controla os média e voga num delírio mitómano em redor de Pedro o Grande ou Estaline o Sanguinário, ficará na história apenas como mais um ditador abjeto. Se algum dia perder o poder, será entregue ao Tribunal Internacional de Haia como o sérvio Milosevic. Não apenas pelas atrocidades na Ucrânia, ou previamente na Geórgia, etc.. Há 20 anos de terror junto dos vizinhos, invasões e anexações territoriais incluídas - um poder desmesurado assente numa plutocracia infame. Adicione-se ainda a estratégia de assegurar diversos poderes-fantoche onde puder pelo mundo (Trump incluído). A Bielorrússia é o maior exemplo, mas a lista dos agrilhoados ao diktat de Moscovo será infinita, se deixarmos.

Lá está, Hitler, ainda antes de invadir a Polónia, tomou conta da Áustria e anexou a Checoslováquia. Porque podia. E era tolerável. Mas depois veio a Polónia. E os americanos assobiaram para o lado e os ingleses ainda andaram a apanhar bonés. Até que finalmente chegou a França. Mesmo assim, não fosse o ataque japonês a Pearl Harbor em 1941, sinal da demente aliança entre alemães e japoneses, e os americanos ainda teriam ficado a exportar material bélico e a ver no que dava.

Por isso mesmo, esqueçamos um pouco os interesses "Biden" e aceitemos a dolorosa perda do gás ou a subida dos preços. Tratando-se da nossa casa europeia, ceder a um vizinho louco é ceder a um vizinho louco. O "czar" está tomado por uma espiral mitómana que desagua na alucinação imperial que jamais existirá connosco vivos: o regresso ao tempo do Muro de Berlim. 99% da população mundial pede aos russos a coragem de evitar uma aniquilação coletiva, lutando contra o ditador. O mundo vai apoiá-los nas ruas. Putin enlouqueceu e não tem limites - incluindo o botão vermelho nuclear. Há quem o interne?

Jornalista

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