Segundo o Boletim Económico de Dezembro do Banco de Portugal, a actividade económica terá crescido no nosso país, em 2025, 2%, sendo possível uma expansão de 2,3% em 2026, 1,7% em 2027 e 1,8% em 2028, valores estes superiores ao da média estimada para a UE.0 PIBpc deverá aumentar 1,8% em 2026, 1,4% em 2027 e 1,6% em 2028, a taxa de desemprego deverá rondar os 6,3% entre 2026 e 2028 e a taxa de inflação estabilizará em torno dos 2% entre 2026/e 2028.Trata-se de uma evolução globalmente positiva, sendo, ainda, certo que, em termos de Finanças Públicas, poderá ocorrer um défice de 0,4% do PIB em 2026, 0,9%em 2027 e 1% em 2028, o que não impediria a possibilidade de o rácio Dívida Pública/ PIB continuar a baixar, atingindo o valor de, aproximadamente, 80%, em 2028.Afigura-se, todavia, claro que, se considerarmos ajustamentos decorrentes da situação resultante do conflito ucraniano, a evolução poderá ser menos positiva. O aumento do rendimento disponível das famílias será, todavia, menos intenso em 2026-2028, provocando um abrandamento no consumo privado e uma redução da taxa de poupança. Em boa verdade, o rendimento disponível em termos reais das famílias deverá aumentar 1,3% em 2026, 2,7% em 2027 e 1,5% em 2028.Já a FBCF-Formação Bruta de Capital Fixo poderá aumentar 6% em 2026, abrandando bastante em 2027 (o que deveria significar que a economia europeia não se dinamizaria tanto quanto desejável), para sofrer um crescimento mais significativo em 2028.Quanto ao sector exportador, o mesmo enfrenta um contexto de incerteza, em virtude dos aumentos registados ao nível das barreiras aduaneiras, bem como das pressões registadas com a apreciação do euro e com os aumentos dos custos unitários do factor produtivo trabalho nos últimos anos.Em qualquer caso, o excedente da Balança Corrente e de Capital deverá situar-se em torno dos 3% do PIB, em média, entre 2025 e 2026, reflectindo o impacto dos fundos do PRR, esperando-se uma redução para 1,9% em 2027-2028, admitindo-se, ainda, um abrandamento das exportações e a manutenção do grau de intensidade actual das importações.O ritmo de crescimento dos salários por trabalhador sofreu um abrandamento em 2025, após um incremento de 8,4% em 2023-2024, prevendo-se um aumento de 4,1% em 2026 e de 3,7% em 2027 e em 2028, aproximando-se a variação salarial, em termos reais, das variações esperadas da produtividade do factor produtivo trabalho.Mas, regressando às Finanças Públicas, convém salientar que um aumento da despesa em conjunto com medidas tendentes à redução dos impostos se traduzirá sempre num aumento da despesa líquida, indicador este que se apresenta relevante para a supervisão orçamental europeia.Segundo as estimativas do Banco de Portugal, a despesa líquida deverá crescer, em média, 5,7%/ano no período de 2025-2028, valor este superior ao limite de 3,6% estabelecido pelo Conselho da União Europeia.Mesmo para 2025, deverá ter ocorrido um crescimento de 6,3%, tendo o limite sido ultrapassado, em termos cumulativos, no período de 2024-2025.Será importante realçar que os sobreditos cálculos não consideram a cláusula de derrogação nacional activada por Portugal, não incorporando as projeções para 2025-2028 o esforço adicional da despesa na área da Defesa.Em conclusão, a trajectória da economia portuguesa nos últimos anos não tem sido, globalmente, negativa, mas não só tem faltado capacidade para empreender reformas estruturais na Saúde, na Educação e na Justiça, como deixará, de agora em diante, de ser possível continuar a expandir significativamente a despesa, reduzindo-se, simultaneamente, os impostos em situação de guerra na Europa.E é aí que surge a ameaça populista, sempre favorável ao aumento da despesa e à redução dos impostos.Só através de um entendimento entre as forças democráticas responsáveis do país será possível resolver este problema, realizando-se algumas reformas inadiáveis, no decurso dos próximos dois ou três anos.Nem mais, nem menos… Economista e professor universitárioEscreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico