A primeira impressão do novo governo

Uma tomada de posse é sempre um momento especial - tanto para os protagonistas, como para quem assiste ao evento no Palácio de Ajuda e em casa. Para muitos portugueses a tomada de posse do Governo é a oportunidade para conhecer algumas caras pela primeira vez - os ministros e os secretários de Estado que não faziam parte do Governo no passado ou que, por alguma razão, não chamaram a atenção durante a governação anterior. É importante? Todos os estudos indicam que sim. Porque a primeira impressão define a atitude e o estilo da futura relação do povo português com os novos representantes do governo.

Quem pareceu mais seguro? Quem se mostrou mais nervoso? Em quem podemos confiar? E aqui podemos sempre lembrar que mesmo sem falar já está a comunicar!

Com certeza, todos repararam no passo com que os novos ministros e os secretários de Estado chegaram ao "palco"- se, por exemplo, o ministro da Administração Interna e secretário de Estado das Comunidades Portuguesas chegaram ao palco com calma, a ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e secretária de Estado da Proteção Civil tiveram um passo mais leve e rápido. Qual é o mais indicado? Ambos ficam bem e revelam a personalidade. Se pensar no Barack Obama, vai sempre lembrar do seu passo rápido e leve, certo?

Ao chegar à mesa, alguns elementos do novo Governo ficaram indecisos, se deviam olhar para o Presidente, para a secretária-geral da Presidência da República ou para as câmaras de televisão no momento de juramento. O ideal é dividir, tal como fez a Sofia Batalha - um exemplo que capacidade de estar em público. De facto, a escolha não é fácil e, dizendo a verdade, este é um pormenor que deviam ter decidido com antecedência - evitava uma situação constrangedora e o momento era aproveitado para comunicar o seu valor e a sua atitude.

Pelo meio, assistimos a algumas confusões com o microfone (uns esqueceram-se de o voltar para si, outros, pelo contrário, tiveram o cuidado de ajustar a direção e até a altura), as máscaras (tirar ou não? colocar ou não?) e as canetas (levarem a sua ou não? e se sim, conseguem tirar e guardar no bolso sem se atrapalharem?). São gestos que podem não ter importância, mas, quando são muitos, chamam a atenção desnecessariamente. Como evitar? Preparar a entrada em palco com antecedência, treinar os pormenores e dar o seu melhor.

As regras protocolares nunca devem ser esquecidas, como, por exemplo, os homens abotoarem o casaco logo que se levantam. Uns fizeram-no na perfeição, alguns esqueceram-se deste pormenor e outros jogaram pelo seguro e abotoaram todos os botões. São pormenores que nos permitem identificar o tipo de pessoa que temos à nossa frente -- se esta presta atenção aos pormenores, se conhece as regras e, o mais importante, se os cumpre. O mundo já conheceu um Presidente americano que não seguia estas regras simples -- não durou mais que um mandato e deixou muitas pessoas indignadas.

Por fim, seria difícil não comentar a escolha da cor da roupa, que faz parte da comunicação não verbal e, tanto como a linguagem corporal, condiciona a nossa perceção. Azul, branco, roxo, cor-de-rosa, verde - mais mulheres trouxeram também mais cor, literalmente. É pouco provável que a escolha seja ocasional, tendo em conta a importância do evento. A ministra da Defesa Nacional vestiu branco e, sem dúvida, criou um contraste que aumenta o poder. Surpreendeu o casaco roxo da ministra da Justiça sendo uma cor bastante criativa e fica muito bem à ministra da Justiça, mas esperamos que a criatividade se fique pela cor.

Outras lições importantes que todos podemos aprender para garantir uma entrada em palco bem-sucedida: não se levantar antes de ser chamado, numa fila deixar o outro sair antes de começar a caminhada para o seu lugar e, claro, manter a postura em todas as situações.

Especialista em comportamento e comunicação não verbal

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