A empresa optou por não confundir os festivaleiros vindos de fora e não replicou a campanha que está (ainda) a decorrer em Portugal sobre a mudança de nome do festival, seguindo-se ao fim da marca Optimus. O que fez foi activar-se de todas as maneiras possíveis no recinto, e da forma mais apropriada que me lembro de ter visto nos últimos anos. .Não gosto do novo nome, tenho de admitir. A primeira vez que o li nem queria acreditar. "Isto não é Nós, é Nus. Isto não tem pés nem cabeça." Agora, cada vez que me refiro à empresa e digo "Nós", penso em frutos secos. De modo que deixar de ir ao Optimus Alive e passar a ir ao NOS Alive soa-me a downgrade, e estava curiosa para perceber como é que a marca se ia sair nesta primeira edição de transição. .Saiu-se bem. Logo no primeiro dia, era ver as redes sociais inundadas de #nosalive, demonstrando que a mudança foi bem incorporada. Quando cheguei ao recinto e vi dezenas de colaboradores a entregarem umas roupas brancas e às cores, fiquei curiosa. Não sou adepta de brindes, costumo evitá-los ou deitar tudo fora. Mas tive de me aproximar e pegar naquilo que parecia um barrete para a palhaçada. Não era. Era uma gola branca de algodão cardado com capuz incorporado, variando entre verde, amarelo, rosa, vermelho... .Genial. O vento frio que se fazia sentir à medida que a noite caía motivou um apreço generalizado pelo brinde com etiqueta a mostrar NOS em letras gordas. Havia gente com os gorros em todo o recinto. Pensei imediatamente no jeito que isto me vai dar nos aviões (onde costumo usar casacos com capuz para não deitar a cabeça directamente no assento; e também para proteger os olhos quando o sol entra forte pelas janelas e o vizinho quer mantê-las assim). Um brinde que não serve apenas para a noite de Carnaval é sempre de valor. .Lá dentro, o palco deixou de ser laranja e passou a ser branco, que é a cor da marca - embora as pessoas ainda andassem com lanyards laranja ao pescoço: não deu tempo para mudar tudo. .À saída (ou entrada, ou ambos), as inscrições nas paredes brancas apelavam à febre que ainda não esmoreceu, a das selfies. "Tira aqui uma selfie", lia-se. Havia pessoas a tirar selfies nessa mesma parede, mas a ideia da NOS era outra. no centro desse corredor estava suspensa uma roda colorida gigante, tal e qual a do novo logotipo da marca. Uma roda com cinco metros e suspensa a quatro metros do chão. Haverá poucas maneiras tão boas de deixar marca nas memórias desta geração quanto uma selfie com o fundo colorido da sua imagem corporativa. .Não é que não se tenham tirado milhares de selfies no Rock in Rio também, ou que os brindes nesse que é o festival das marcas por excelência não tenham sido úteis para as pessoas. Mas o Rock in Rio tem festivaleiros dos cinco aos 75 anos. É uma massa de participantes tão heterogénea que as marcas precisam de pensar em estratégias de activação abrangentes. Nisto, o Alive é diferente. Tem um público mais homogéneo, dentro de toda a diversidade de países e culturas que recebe, não sendo um festival de nicho - mais de 50 mil pessoas por dia. .No próximo ano já só haverá NOS Alive, e ainda que para muita gente o 'naming sponsor' pareça não interessar, a impressão fica lá. Se há activo valioso que a empresa resultante da fusão herda, é este festival que a Everything is New chama de "o maior espectáculo de música e arte" do país.