Voto de vice-presidente dá a Trump vitória à justa contra o Obamacare

Mike Pence desempatou votação do Senado sobre o fim do plano de saúde de Obama. Empate só possível graças a McCain, a quem diagnosticaram cancro mas que viajou de propósito até Washington. Presidente está "extremamente feliz"

O vice-presidente norte-americano, Mike Pence, voltou a ter de ser chamado ao Senado para desempatar a votação sobre o fim do Obamacare, após duas senadoras republicanas se terem aliado aos 48 democratas votando contra o início do debate para uma nova legislação de saúde nos EUA. Seguem-se agora vários dias de discussão e emendas ao texto aprovado em março pela Câmara dos Representantes antes de um voto final, cujo resultado ainda é incerto. Para já é uma vitória para o presidente Donald Trump, que, depois de ter pressionado os senadores para votarem, parecia ontem mais focado nos ataques contra o procurador-geral, Jeff Sessions.

"Passámos sem um único voto democrata e isso é uma pena, mas é assim que funciona, é muito infeliz. Mas quero dar os parabéns ao povo americano porque nós vamos dar--vos um grande plano de saúde e vamos livrar-nos do Obamacare", afirmou Trump no início da conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, com quem se reuniu na Casa Branca. "Estou extremamente feliz por ter este voto", acrescentou, lembrando que o Obamacare é "um desastre", está a "falhar em todas as frentes", é "muito caro" e "garante uma cobertura pobre" aos norte--americanos. "Vamos tentar apresentar algo que é espetacular. Temos muitas opções", conclui.

O primeiro a falar logo após a votação foi o senador republicano John McCain, a quem foi diagnosticado na semana passada um cancro no cérebro e cuja presença na capital só foi confirmada na segunda-feira à noite. Foi recebido no Senado com uma ovação e o seu voto foi essencial para garantir o empate inicial - que o vice-presidente foi chamado a desempatar. "Obrigado por ter vindo a Washington para este voto vital", escreveu Trump no Twitter numa mensagem para McCain. "Parabéns a todos os republicanos. Agora podemos entregar uma grande lei de cuidados de saúde a todos os americanos", acrescentou.

O senador do Arizona, de 80 anos, lembrou que, apesar de ter votado a favor do início do debate (só as republicanas Susan Collins, do Maine, e Lisa Murkowski, do Alasca, votaram contra), não iria votar a favor da lei tal como ela veio da Câmara dos Representantes em março. E defendeu um debate sério, bipartidário, para encontrar uma alternativa. "Isto é só o princípio", disse o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, acreditando que "tudo estará terminado no final desta semana".

O que se segue é um período de debate que pode durar 20 horas, durante o qual serão discutidas emendas à lei aprovada pela Câmara dos Representantes, seguido de diferentes votações até ao voto do texto final. Este poderá ser uma simples revogação da lei de saúde conhecida como Obamacare (pelo nome do ex-presidente Barack Obama) ou incluir um plano que substitua a lei democrata de 2010 por uma reforma de inspiração republicana. O problema será chegar a um consenso entre os republicanos moderados, que são contra acabar simplesmente com o Obamacare sem um substituto, e os conservadores, que não apoiam uma alternativa.

Ataques a Sessions

O dia da importante votação no Senado sobre o fim do Obamacare começou contudo com os tweets de Trump a atacar o seu procurador-geral, Jeff Sessions. "Esforços ucranianos para sabotar a campanha de Trump - "trabalhando silenciosamente para apoiar Clinton". Onde é que está a investigação, procurador-geral", escreveu o presidente. Noutra mensagem reiterou: "O procurador-geral Jeff Sessions assumiu uma posição muito fraca em relação aos crimes de Hillary Clinton (onde estão os e-mails e o servidor do Comité Nacional dos Democratas) e os responsáveis pelas fugas de informação!"

As críticas de ontem vêm juntar--se às da véspera, quando disse que Sessions estava "sitiado", e às da semana passada. Numa entrevista ao The New York Times, o presidente admitiu que não o teria nomeado se soubesse que o procurador-geral (que tinha sido um dos seus principais aliados na campanha) ia pedir escusa em relação à investigação sobre as ligações à Rússia. Isso abriu caminho à nomeação do ex-diretor do FBI Robert Mueller para liderar a investigação, que acabou por se centrar na equipa mais próxima do presidente, incluindo o seu genro e conselheiro Jared Kushner.

Segundo os apoiantes de Sessions, Trump está a "fazer bullying" ao procurador-geral, para o obrigar a demitir-se. Duas pessoas próximas do ex-senador disseram à Reuters que ele está muito ofendido pela forma como o presidente o está a tratar, mas ainda na semana passada Sessions disse que gostava do seu trabalho e que iria continuar. Na conferência de imprensa de ontem, Trump disse estar "desapontado" com Sessions, que lhe devia ter dito que ia pedir escusa antes de assumir o cargo, permitindo que o presidente nomeasse outra pessoa. Mas recusou dizer se vai ou não demiti-lo. "Vamos ver o que acontece. O tempo dirá", afirmou.

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