Theresa May reúne gabinete de emergência. Votação do Brexit em risco

Ainda esta manhã o governo britânico afirmava com "100% de certeza" que parlamento iria votar o acordo sobre o Brexit mas decisão de tribunal europeu terá abalado não só a saída como o próprio governo de May

A primeira-ministra britânica, Theresa May, está desde as 11.30 a realizar uma reunião de emergência com os membros do seu gabinete, por videoconferência. E diferentes órgãos de comunicação avançam que poderá ter sido cancelada a votação de amanhã sobre o acordo do Brexit na Câmara dos Comuns. Em causa está o anúncio pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (EUJC), nesta manhã, de que o Reino Unido ainda pode cancelar a decisão de abandonar a União Europeia (UE) sem precisar do acordo prévio dos 27 estados-membros, mas também a forte possibilidade de o documento ser chumbado, com pelo menos 50 deputados do partido Conservador (do governo) inclinados a rejeitar o acordo.

A hipótese de ter sido cancelada a votação de amanhã - A Câmara dos Comuns está há quatro dias a discutir o 'envelope' de saída negociado entre o governo de May e a UE - foi avançada pela editora de política da BBC, Laura Kuenssberg, que citou duas fontes do gabinete de May mas ressalvou que esta informação não é ainda oficial.

Jessica Elgot, correspondente de política do The Guardian, citou também um fonte governamental confirmando a mesma indicação.

Theresa May terá entretanto agendado uma declaração sobre esta matéria para as 15.30.

Nesta altura começam já a surgir nas redes sociais apelos à demissão da primeira-ministra. O ministro do Ambiente Michael Cove, que ainda há algumas horas garantia "com 100% de certeza" que a votação iria decorrer, também está bastante fragilizado nesta altura.

Recorde-se que, nesta manhã, foi divulgado um parecer não vinculativo do Tribunal de Justiça da União Europeia (EUJC) segundo o qual o 'Brexit' poderá sempre ser suspenso, por decisão do Reino Unido, até estar consumado.

O EUJC fundamenta a sua decisão considerando que retirar esse direto ao país "seria contrário ao objetivo dos tratados de criar uma união cada vez mais estreita entre os povos da Europa", uma vez que resultaria de facto na imposição da saída por terceiros. Para todos os efeitos, e até à saída, lembra este tribunal, o Reino Unido continua a ser um estado-membro de pleno direito.

O parecer, que foi solicitado por um tribunal superior da Escócia, contraria o entendimento por parte da UE de que só com a decisão unânime dos 27 estados-membros poderia agora ser revertido o processo de saída.

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