Sanna Marin é aos 34 anos a primeira-ministra mais jovem do Mundo

A nova chefe de governo da Finlândia, a terceira mulher do país nórdico a chegar ao cargo, deve tomar posse esta semana à frente de um executivo de coligação formado por cinco partidos, todos liderados por mulheres.

Sanna Marin, 34 anos, a designada nova primeira-ministra da Finlândia, será a mais jovem do mundo como chefe de um governo de coligação totalmente liderado por mulheres no país nórdico. Será a mais nova já que não se deve considerar Sebastian Kurz, da Áustria, que ainda procura formar governo após ter vencido as eleições de outubro passado. Kurz tem 33 anos e chegou a primeiro-ministro com apenas 31, em 2017. Mas não está de momento na chefia do governo austríaco - atualmente o cargo é ocupado de forma interina por Brigitte Bierlein.

A ministra dos Transportes finlandesa foi escolhida pelo seu partido social-democrata para assumir o comando da nação após da demissão de Antti Rinne, anterior primeiro-ministro e membro do mesmo partido, que se demitiu após a perda de confiança de uma das forças políticas da coligação. Formalmente, Marin ainda não é primeira-ministra mas deve prestar juramento ainda esta semana.

A nova primeira-ministra liderará uma coligação de centro-esquerda de cinco partidos, todos chefiados por mulheres. Duas delas são ainda mais jovens que Marin. Além dos sociais democratas, integram a aliança governamental o Partido do Centro, liderado por Katri Kulmuni, 32 anos; os Verdes, de Maria Ohisalo, 34; a Aliança de Esquerda, Li Anderson, 32; e o Partido Popular Sueco da Finlândia, de Anna-Maja Henriksson, 55.

Quando assumir o cargo, Marin será a primeira-ministra mais jovem do mundo. A primeira-ministra da Nova Zelândia Jacinda Ardern tem 39 anos, enquanto o líder do governo ucraniano, Oleksiy Honcharuk, tem 35. O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, tem 35. Se Sebastian Kurz for empossado na Áustria, voltará a ser ele o mais jovem chefe do governo do mundo, com 33 anos.

"Temos muito trabalho a fazer para recuperar a confiança", disse Marin, que venceu a votação por uma margem estreita.

A nova chefe de governo relativizou a questão da idade, dizendo: "Nunca pensei na minha idade ou sexo. Penso nas razões pelas quais entrei na política e nas coisas pelas quais conquistamos a confiança do eleitorado".

Marin será a terceira mulher primeira-ministra do país nórdico. Os social-democratas emergiram como o maior partido nas eleições realizadas em abril e, portanto, podem nomear o primeiro-ministro que lidera o governo de coligação.

Segundo a emissora finlandesa YLE, Sanne Marin foi criada por uma mãe solteira e foi a primeira pessoa da sua família a ir para a universidade.

Atualmente, a Finlândia ocupa a presidência rotativa da União Europeia.

A crise política finlandesa partiu de um projeto dos Correios da Finlândia (Posti), empresa de capitais públicos, de passar cerca de 700 trabalhadores para um novo acordo coletivo, menos favorável, em nome da competitividade.

A questão suscitou logo em setembro fortes críticas à ministra com a tutela das participações do Estado, Sirpa Paatero, membro do partido de Antti Rinne. A crise agravou-se em novembro quando os sindicatos convocaram uma greve de duas semanas. O movimento em causa é muito representativo e tem o apoio de trabalhadores de outros setores económicos, que suspenderam o trabalho "por simpatia", como permite a legislação finlandesa. Os sindicatos exigem saber se o Estado, acionista maioritário, aprovou o projeto.

A ministra fez várias declarações ambíguas e, a 28 de novembro, o primeiro-ministro foi chamado a explicar-se, tendo negado que o governo tivesse aprovado o projeto da direção dos Correios, o que foi contudo desmentido no dia seguinte pelo presidente do conselho de administração da empresa. Antti Rinne acabour por se demitir o que originou agora a escolha de novo chefe de governo.

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