Rajoy pouco confiante: "Formar governo é mais sonho que realidade"

Líder do PP agradeceu esforço do Ciudadanos para chegar a um acordo de investidura e criticou a "irresponsabilidade" do PSOE

Na reta final para conseguir um acordo que lhe permita ser reeleito primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy mostrou-se ontem pouco confiante na resolução em breve da crise política em Espanha. "Formar governo é mais sonho que realidade", admitiu o líder do Partido Popular (PP), que agradeceu o esforço negocial do Ciudadanos e da Coligação Canária e criticou a "irresponsabilidade" dos socialistas em bloquearem a formação do governo.

"Seria uma enorme irresponsabilidade que os que têm menos 52 deputados e 2,5 milhões de votos que os vencedores das eleições voltassem a bloquear a constituição de um governo em Espanha", disse Rajoy. "Espero que não seja assim", acrescentou num evento do partido em Cotobade, na Galiza. Nas eleições de 26 de junho, o PP foi o único partido a melhorar o resultado do escrutínio de 20 de dezembro, conquistando 137 deputados.

O primeiro-ministro em funções continua a negociar com o Ciudadanos o apoio dos seus 32 deputados (assim como do único representante da Coligação Canária). Ontem, o partido de Albert Rivera terá garantido o compromisso do PP para criar um complemento para os salários mais baixos e para o aumento da licença de maternidade e paternidade, revelaram fontes da negociação ao jornal El País. Já o ABC garantia haver acordo para a eleição direta dos autarcas. O acordo final deverá ser conhecido hoje, a dois dias do início do debate de investidura.

Mas mesmo com o apoio de Ciudadanos e Coligação Canária, Rajoy não tem garantida a eleição - a maioria absoluta são 176 deputados e só consegue 170. A solução matemática passaria pela abstenção dos socialistas (pelo menos de alguns) na votação, mas o líder do PSOE, Pedro Sánchez, continua a dizer que "não é não" e que está fora de hipótese que sejam os votos do partido a garantir a eleição de Rajoy. Mais, segundo o El Mundo, Sánchez votará contra mesmo que o PP decida afastar o primeiro-ministro em funções e apresentar um segundo candidato (algo que os populares recusam também fazer).

Alguns dirigentes socialistas, críticos da liderança de Sánchez, também ainda não excluíram a hipótese de convocar um Comité Federal para obrigar Sánchez a mudar de ideias. Tudo depende do resultado das eleições regionais no País Basco e na Galiza, a 25 de setembro, e da forma como os eleitores reagirem a um novo impasse para a formação de governo. Nessa altura, haverá ainda um mês para poder chegar a acordo antes de ser necessário dissolver novamente o Congresso e marcar novas eleições.

Nesse cenário, e caso os prazos corram como o previsto, o escrutínio seria a 25 de dezembro - a Constituição dá um prazo de dois meses desde o primeiro debate de investidura para ter governo e, a partir do momento da dissolução do Congresso, 54 dias para a celebração das eleições. Mas ir às urnas no dia de Natal não agrada a todos. E estará já a ser pensado na Moncloa um plano para adiantar os prazos, de forma a que as eleições ocorram uma semana antes, a 18 de dezembro. O PSOE também já indicou estar disponível para procurar uma solução que impeça a "crueldade" e a "chantagem" que seria marcar o escrutínio para 25 de dezembro.

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