Polícia diz que Dilma agiu para tentar evitar prisão de Lula

(ATUALIZADA) Juiz Sérgio Moro incluiu no inquérito gravação áudio de conversa telefónica entre ex-presidente e atual chefe do Estado. Outras escutas vão sendo tornadas públicas

Na conversa telefónica cuja gravação o juiz Sérgio Moro incluiu no inquérito que seguiu para Curitiba, a presidente Dilma Rousseff diz ao antecessor que encaminhará para ele "o termo de posse" de ministro. E acrescenta que este só seria usado "em caso de necessidade".

Os investigadores da operação Lava Jato estão a interpretar este diálogo como uma tentativa de Dilma Roussef para evitar a prisão de Lula. Ou seja, se o ex-presidente fosse alvo de um mandado do juiz, mostraria o termo de posse como ministro, o que, à partida, impediria a sua prisão. Os ministros têm foro privilegiado, isto é, apenas são julgados pelo Supremo Tribunal Federal.

Segundo a Folha de São Paulo, este é o diálogo da gravação:

Dilma: Alô

Lula: Alô

Dilma: Lula, deixa eu te falar uma coisa.

Lula: Fala querida. Ahn.

Dilma: Seguinte, eu tô mandando o "Bessias" [Jorge Rodrigo Araújo Messias, subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil] junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?

Lula: Tá bom. Eu tô aqui. Fico aguardando.

Dilma: Tá

Lula: Tá bom.

Dilma: Tchau

Lula: Tchau, querida.

Entretanto, surgem na imprensa brasileira outras gravações áudio parte da investigação. Numa delas, segundo o Correio Braziliense, Lula estará a falar com o ex-ministro Nelson Jobim e assume mesmo que a polícia o está a escutar: "Isso aqui [a ligação] com certeza a Polícia Federal está gravando", diz lula na gravação disponibilizada pela edição online.

Lula da Silva aceitou hoje a chefia da Casa Civil, um cargo ministerial que equivale ao nosso primeiro-ministro.

No Governo, o ex-presidente fica fora da alçada de Moro, considerado implacável com investigados pela Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção, desvio de dinheiro e branqueamento de capitais.

O processo aberto em São Paulo, relacionado com a aquisição de um apartamento no Guarujá, está nas mãos da juíza Maria Priscilla Ernandes, mas a magistrada pediu a transferência do processo para o juiz Sérgio Moro, titular do 13.º Tribunal Penal Federal de Curitiba, que deverá decidir agora se o assume ou não, informaram fontes judiciais.

A procuradoria de São Paulo acusou Lula de Silva de alegado branqueamento de capitais mediante ocultação de património e falsificação de documentos em relação a um apartamento situado na praia de Guarujá, que estava em nome de uma empresa de construção de civil envolvida no escândalo de corrupção da empresa petrolífera estatal brasileira Petrobras.

Os procuradores pediram também prisão preventiva para o ex-presidente por considerarem que pode interferir na investigação se continuar em liberdade.

Sérgio Moro é responsável pelo caso Petrobras, uma investigação paralela e independente à que está a ser feita em São Paulo, mas têm elementos comuns.

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