Parlamento alemão reconhece "genocídio arménio" apesar da oposição da Turquia

Votação decorreu mesmo após as advertências da Turquia de que a decisão afetaria as relações com a Alemanha

O parlamento alemão aprovou hoje, praticamente por unanimidade, uma resolução que reconhece como genocídio o massacre de arménios cometidos há mais de um século pelo Império Otomano (atual Turquia).

A votação de hoje decorreu mesmo após as advertências da Turquia de que a decisão afetaria as relações bilaterais.

No texto reconhece-se comogenocídio - um termo que Ancara rejeita - a morte de entre 800 mil e 1,5 milhões de pessoas das minorias cristãs da Arménia durante as chacinas de 1915, bem como a responsabilidade da Alemanha nas mesmas, já que era aliada do Império Otomano no decorrer da I Guerra Mundial (1914-1918).

A resolução - apresentada de forma consensual pela coligação governamental de conservadores e sociais-democratas, juntamente com os Verdes - passou com apenas um voto contra e uma abstenção, confirmou o presidente do parlamento alemão (Bundestag), Norbert Lammert. O debate que antecedeu a votação durou uma hora.

Antes de iniciar a votação, Lammert sublinhou que "um parlamento não é uma comissão de historiadores, e muito menos um tribunal".

No entanto, ressalvou, o Bundestag não evita "questões incómodas", "mais ainda quando a Alemanha teve parte da responsabilidade nogenocídio contra os arménios e outras minorias cristãs há cem anos no Império Otomano".

Sublinhou ainda que uma "análise sincera e autocrítica" do passado não afeta as relações com outros países, antes constitui uma condição para a reconciliação e a cooperação.

Ancara rejeita o termo "genocídio" ao descrever estes acontecimentos históricos, limitando-se a falar em "matanças e deportações".

Na reação à decisão do parlamento alemão, um porta-voz do governo turco considerou-a um "erro histórico", bem como "nula e sem efeitos".

"O reconhecimento pela Alemanha de certas alegações infundadas e deformadas constitui um erro histórico", escreveu Numan Kurtulmus na sua conta do Twitter, acrescentando que, "para a Turquia, esta resolução é nula e sem efeitos".

Já a Arménia "aplaudiu a adoção da resolução pelo Bundestag".

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Arménia, Edward Nalbandian, enalteceu em comunicado "a valiosa contribuição da Alemanha, não só para o reconhecimento internacional e condenação do genocídio arménio, como também para a luta universal pela prevenção dos genocídios e dos crimes contra a Humanidade".

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